Fim da escala 6×1 avança no Congresso e divide bancada do Tocantins

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais ganhou força no Congresso Nacional e deve avançar nos próximos dias. A comissão especial da Câmara dos Deputados responsável pelo tema realiza, nesta terça-feira (26), mais uma rodada de debates com sindicatos e movimentos sociais. Já a votação do texto que defende a redução da jornada, sem diminuição salarial e com dois dias de descanso por semana, está prevista para quarta-feira (27).

O texto apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos) propõe jornada semanal de 40 horas, sem redução salarial, e dois dias de descanso por semana, sendo um preferencialmente aos domingos. A mudança ocorreria de forma gradual: 60 dias após a promulgação da PEC, a carga cairia para 42 horas e, após 12 meses, chegaria às 40 horas semanais.

Debate no Tocantins

Anúncio no meio do texto

Entre os deputados federais do Tocantins, parte da bancada se posicionou favoravelmente à flexibilização da proposta ou à ampliação do prazo para implantação da nova jornada.

Os deputados Alexandre Guimarães (MDB), Antônio Andrade (PSDB), Eli Borges (Republicanos) e Filipe Martins (PL) aparecem entre os parlamentares alinhados a propostas que tentam desacelerar ou modificar a implantação do fim da escala 6×1, mas com diferenças entre as posições.

Alexandre Guimarães e Antônio Andrade aparecem mais ligados à defesa da flexibilização da proposta. Isso significa apoiar mudanças no texto para permitir uma adaptação mais ampla das empresas, com regras diferenciadas para alguns setores e uma transição mais longa para a redução da jornada.

Já Eli Borges e Filipe Martins aparecem mais associados a posições de adiamento ou maior cautela na tramitação da PEC. Na prática, isso envolve ampliar o tempo de discussão da proposta, retardar a votação ou defender que a mudança não seja implementada rapidamente.

Já os deputados Ricardo Ayres (Republicanos) e Carlos Henrique Gaguim (UB) se posicionaram de forma mais clara favoravelmente ao fim da escala 6×1.

Os deputados Tiago Dimas (Podemos) e Vicentinho Júnior (Progressistas) ainda não tiveram posicionamentos amplamente divulgados sobre o tema.

Entre os senadores tocantinenses, até o momento não há posicionamento público consolidado sobre a proposta. Permanecem sem manifestação clara os senadores Eduardo Gomes (PL), Irajá (PSD) e Dorinha Seabra (UB).

O tema também começou a mobilizar movimentos sociais e sindicatos no Estado. O “Movimento Tocantins pelo Fim da Escala 6×1”, organizado pelo coletivo Somos, já ultrapassou mil assinaturas em um abaixo-assinado digital em defesa da redução da jornada de trabalho.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins (Sintet) também declarou apoio público à proposta, defendendo mais tempo de descanso e qualidade de vida para os trabalhadores. Porém, até o momento, sindicatos maiores ligados ao comércio, saúde e transporte ainda não apresentaram posicionamento oficial sobre o tema.

Proposta mira na produtividade e qualidade de vida

Para o governo federal, a proposta dialoga com mudanças recentes na economia, como avanço tecnológico, reorganização das relações de trabalho e ganhos de produtividade.

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo afirma que jornadas mais equilibradas podem reduzir afastamentos, melhorar o desempenho dos trabalhadores e diminuir a rotatividade nas empresas.

O comunicado também cita experiências internacionais. O Chile aprovou redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029. Já a Colômbia está reduzindo a carga horária de 48 para 42 horas até 2026.

Na Europa, países como França, Alemanha e Holanda já trabalham com jornadas iguais ou inferiores a 40 horas semanais.

Empresários pressionam por prazo maior

Enquanto movimentos sociais e sindicatos defendem a aprovação rápida do fim da escala 6×1, representantes do setor empresarial tentam ampliar o prazo de transição para a redução da jornada de trabalho.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entidades empresariais argumentam que a mudança para 40 horas semanais pode aumentar custos operacionais, afetar contratações e exigir reorganização interna das empresas, principalmente nos setores de comércio, serviços e pequenas empresas.

O texto apresentado pelo relator prevê uma transição considerada curta pelo empresariado. Pela proposta, a jornada cairia para 42 horas semanais apenas 60 dias após a promulgação da PEC e, um ano depois, passaria definitivamente para 40 horas.

Empresários defendem um prazo maior, de até quatro anos, para adaptação gradual. A proposta do setor prevê redução de uma hora por ano até atingir o novo limite. Segundo representantes empresariais, isso daria mais tempo para reorganização das escalas, contratação de funcionários e adaptação financeira das empresas.

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