Preço médio das passagens aéreas ultrapassa R$ 700 e pode subir mais

O preço das passagens aéreas no Brasil voltou a subir em março e já supera R$ 700 na média. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o valor médio chegou a R$ 707,16, alta de 17,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O aumento está diretamente ligado ao cenário internacional, que elevou o custo do combustível de aviação e pressionou o setor.

Combustível pressiona custos das companhias

O querosene de aviação (QAV), principal custo das empresas aéreas, teve forte impacto nos últimos meses. Em abril, a Petrobras anunciou reajuste médio de cerca de 55% no combustível.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o Combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias, percentual maior do que em anos anteriores.

A alta no combustível ocorre mesmo após um início de ano com preços mais baixos, mostrando a rápida mudança no cenário global.

Demanda por voos segue em crescimento

Apesar do aumento nas tarifas, o número de passageiros continua em alta. Em março, o Brasil registrou 10,6 milhões de passageiros, o maior volume já registrado para o mês.

O crescimento foi puxado principalmente pelo mercado internacional, que avançou 8,9%, enquanto o mercado doméstico teve alta mais moderada, de 1,3%.

Diferença de preços entre companhias

Os dados mais recentes mostram variação entre as principais empresas aéreas:

  • Azul lidera com tarifa média de R$ 887;
  • Latam aparece na faixa de R$ 740;
  • Gol mantém os menores valores, com média de R$ 626.

A tendência indica que a Azul permanece com os preços mais elevados ao longo do período analisado.

Guerra e petróleo

A escalada no preço do combustível está ligada ao conflito no Oriente Médio. A guerra no Irã começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel.

A região concentra grandes produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial. O cenário provocou distorções na cadeia global e elevou os preços.

Atualmente, o barril do tipo Brent é negociado acima de US$ 105, com valores que variam constantemente no mercado internacional. Antes do conflito, o petróleo era cotado em torno de US$ 70.