Quase metade das mortes no trânsito no Tocantins envolve motociclistas; pesquisa busca entender cenário
Uma pesquisa nacional pretende identificar hábitos e comportamentos de motociclistas para subsidiar ações de prevenção de acidentes e políticas de segurança no trânsito. No Tocantins, a meta é alcançar pelo menos 50 participantes para permitir a elaboração de um recorte específico sobre o estado.
O levantamento é realizado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e recebe respostas até 14 de agosto. O questionário aborda questões como uso de capacete, velocidade, utilização do celular durante a condução, consumo de álcool, finalidade do uso da motocicleta e percepção de risco.
Segundo o presidente da SBOT Regional Tocantins, Dr. João Protásio Netto, a iniciativa surgiu da experiência dos ortopedistas no atendimento às vítimas de acidentes envolvendo motocicletas.
“A pesquisa nasce dessa necessidade de transformar o que vemos no consultório e na sala de cirurgia em dados concretos, para que a categoria médica não fique apenas tratando a consequência, mas também ajude a pensar na prevenção”, explicou.
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Tocantins preocupa por mortes no trânsito
De acordo com os dados apresentados pelo médico, o Tocantins registrou taxa de 33,9 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes em 2023, enquanto a média brasileira foi de 16,2. Os números citados são do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Ainda segundo João Protásio, quase metade das mortes no trânsito registradas no estado, 49,8%, envolve motociclistas. O índice coloca o Tocantins com a segunda maior taxa de mortalidade de motociclistas do país, atrás apenas do Piauí.
Dados do Detran-TO mencionados pelo médico apontam que, em 2023, foram registradas 552 mortes no trânsito no Tocantins, maior número desde 2015. Desse total, 257 vítimas eram motociclistas, enquanto 129 eram motoristas de automóveis.
O cenário também preocupa nas rodovias federais. Conforme balanço da Polícia Rodoviária Federal citado pelo presidente da SBOT-TO, as mortes nas BRs que cortam o Tocantins aumentaram 36% no primeiro semestre de 2026, e aproximadamente um terço das vítimas era motociclista.
Pesquisa quer identificar comportamentos de risco
O questionário pretende identificar como os motociclistas se comportam no dia a dia e quais fatores podem estar associados aos acidentes. Entre os pontos avaliados estão o respeito aos limites de velocidade, o uso do celular ao pilotar, o consumo de bebidas alcoólicas antes da condução e a utilização da motocicleta para trabalho ou deslocamentos pessoais.
“A ideia é ter um retrato real de como o motociclista brasileiro se comporta no trânsito, não uma suposição”, afirmou João Protásio.
Segundo ele, os resultados poderão orientar campanhas educativas e discussões com órgãos públicos sobre fiscalização, infraestrutura viária e políticas de prevenção.
“Com dados de comportamento em mãos, fica mais fácil embasar campanhas de educação no trânsito, propor mudanças em políticas públicas e até discutir com órgãos de trânsito onde estão os pontos mais críticos”, explicou.
Tocantins poderá ter diagnóstico próprio
A pesquisa pretende alcançar representatividade estatística nos estados. Para o Tocantins, foram estabelecidas 50 respostas como meta dentro da coleta nacional, o que poderá possibilitar a divulgação de informações específicas sobre o comportamento dos motociclistas tocantinenses.
A coleta segue até 14 de agosto. Após o encerramento, os dados nacionais e regionais serão consolidados pela SBOT. Ainda não há uma data definida para a divulgação dos resultados.
