Praia Norte terá nova eleição após TRE-TO manter cassação de prefeita e vice

A Prefeitura de Praia Norte deverá passar por uma nova eleição após o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) manter, por unanimidade, a cassação da prefeita Bruna Gabrielle (PSD) e do vice-prefeito Abrão Carulino da Silva, conhecido como Cabeça. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira, 16.

A decisão mantém o entendimento da primeira instância, que reconheceu abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2024.

Com a perda dos mandatos, o presidente da Câmara Municipal deverá assumir a Prefeitura interinamente até a realização de novas eleições, conforme determinado pela Justiça Eleitoral. Os afastamentos deverão ser cumpridos após a análise de eventuais recursos apresentados ao próprio TRE-TO. Ainda cabe recurso da decisão.

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Vice consegue afastar inelegibilidade

Apesar da perda do mandato, Abrão Carulino conseguiu afastar a condenação que previa oito anos de inelegibilidade. Segundo o entendimento dos magistrados, não havia provas da participação direta do vice nas irregularidades analisadas no processo.

Bruna Gabrielle, por outro lado, permanece condenada à inelegibilidade pelo período de oito anos.

A defesa da prefeita informou que respeita a decisão do Tribunal, mas irá recorrer. Em manifestações anteriores, os advogados contestaram as acusações e afirmaram que Bruna era alvo de perseguição política.

O TRE-TO também determinou o envio de cópias do processo à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) e ao promotor eleitoral da 21ª Zona Eleitoral. O objetivo é permitir a apuração de possíveis crimes contra a administração pública, crimes eleitorais e atos de improbidade administrativa relacionados aos investigados.

Bruna já havia sido afastada

A decisão eleitoral ocorre em meio a outros processos envolvendo a administração de Praia Norte. Bruna Gabrielle também é investigada por suspeitas relacionadas a fraudes e desvios em contratos públicos que ultrapassam R$ 4,4 milhões.

Em maio de 2026, a prefeita foi afastada pela primeira vez por determinação da Justiça Estadual. Ela retornou ao cargo em 17 de agosto, mas voltou a ser afastada quatro dias depois, em 21 de agosto, por decisão da 1ª Vara Cível de Augustinópolis. A medida foi estabelecida pelo período de 90 dias.

No mesmo dia, a Câmara Municipal aprovou a perda do mandato de Bruna por infrações político-administrativas. A votação ocorreu em sessão extraordinária e teve sete votos favoráveis.

Após o julgamento, Abrão Carulino afirmou, em nota, que recebeu a decisão com respeito e destacou que o TRE-TO afastou por unanimidade sua inelegibilidade.

Segundo ele, o entendimento reconheceu que não houve participação dele nas irregularidades analisadas no processo.

Abrão também informou que pretende apresentar o recurso cabível dentro do prazo legal e que continuará exercendo o mandato enquanto o processo tramita. Na nota, atribuiu as irregularidades mencionadas no processo às gestões do ex-prefeito Ho-Chi-Min e da ex-prefeita Bruna Gabrielle.

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