Balsas em Pedro Afonso tem filas de 7 horas e revolta da população
A balsa que começou a funcionar na noite de terça-feira (26/5) entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, após a interdição da ponte sobre o Rio Tocantins na BR-235, foi marcada por longas filas, acidentes, transtornos e reclamações de abandono por parte da população. Moradores relatam esperas superiores a 7 horas para conseguir fazer a travessia, enquanto filas quilométricas passaram a cortar áreas urbanas da cidade desde as primeiras horas do dia.
A ponte segue interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) desde o dia 21 de maio, após inspeções técnicas identificarem fissuras e comprometimentos estruturais. Quase uma semana após a interdição, apenas duas balsas começaram a operar na travessia, considerada essencial para a rotina econômica e social da região.
A ligação entre Pedro Afonso e Tupirama é utilizada diariamente por caminhoneiros, comerciantes, estudantes, trabalhadores e pacientes que dependem da travessia para acessar serviços de saúde, empregos, escolas e transporte de mercadorias.
Filas de mais de sete horas
Segundo relatos de moradores, a espera para embarque das balsas ultrapassou sete horas tanto no lado de Pedro Afonso quanto no de Tupirama.
Até a publicação desta reportagem, o DNIT não havia se manifestado sobre medidas emergenciais para reduzir o tempo de espera ou ampliar a operação das balsas, bem como os laudos técnicos.
A moradora Luciara Veloso afirma que a situação já começa a afetar diretamente o abastecimento da cidade. Segundo ela, caminhões com mercadorias permanecem parados nas filas, supermercados começaram a reajustar preços e alguns produtos já apresentam sinais de escassez.
Outra moradora relatou que permaneceu das 20h às 23h aguardando travessia, mas acabou desistindo e fazendo o percurso a pé. Estudantes também precisaram caminhar para conseguir chegar em casa diante da lentidão da operação.
A população também denuncia falta de segurança durante a operação. Segundo moradores, as balsas não possuem coletes salva-vidas suficientes e não há presença de policiais para organizar as filas ou prestar apoio a pessoas que passam mal após horas de espera sob o forte calor.
Luciara também afirma que vans responsáveis pelo transporte de passageiros para municípios após Pedro Afonso, como Recursolândia, passaram a madrugada inteiramente paradas nas filas. Segundo ela, alguns veículos só conseguiram atravessar por volta das 4h da manhã. Outra moradora alegou que chegou às 17h na fila e só conseguiu atravessar às 3h55 da manhã.
Diante das reclamações sobre o tempo de espera e da operação limitada das balsas, a Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR) informou ao Jornal Primeira Página que estuda disponibilizar uma embarcação de maior porte para atender carros e caminhões.
Segundo a agência, a empresa contratada, PIPES Empreendimentos Ltda., também deverá destinar uma embarcação específica para transporte de caminhões de combustível, com o objetivo de melhorar o fluxo operacional, reduzir o tempo de espera e aumentar a segurança da operação.
A ATR afirmou ainda que acompanha e fiscaliza continuamente a prestação do serviço e que o descumprimento das regras previstas no Termo de Autorização pode resultar em advertência, multa, suspensão ou até cassação da autorização da empresa responsável.
Rotina da cidade mudou
A crise alterou completamente a rotina da população de Pedro Afonso, município com cerca de 18 mil habitantes. Fora todas as cidades da redondeza que depende desse acesso.
Moradores relatam necessidade de sair de casa ainda de madrugada para conseguir chegar aos destinos durante o dia. Trabalhadores passaram a enfrentar atrasos constantes, enquanto famílias tentam reorganizar compromissos diante da incerteza sobre o tempo de travessia.
Mães atípicas afirmam enfrentar dificuldades ainda maiores. Alguns relatam que dependem da travessia para levar crianças a tratamentos terapêuticos e consultas de saúde, mas dizem não saber como manter os atendimentos diante de filas que chegam a sete horas.
“A comunidade aguarda por segurança. Está todo mundo inseguro, sem acolhimento, sem ser visto, sem saber onde pedir socorro, sem fiscalização, sem policiamento, sem assistência básica de nada. Essa é a realidade da comunidade de Pedro Afonso”, afirmou Luciara Veloso.
Revolta por liberação parcial da ponte
Outro ponto que gera revolta entre os moradores é a liberação parcial da ponte interditada. Segundo moradores, ambulâncias, viaturas e veículos leves somentes ligados à prefeitura continuam autorizados a atravessar a estrutura, enquanto a população permanece submetida às filas das balsas.
Para parte da comunidade, a decisão aumenta a sensação de desigualdade no acesso à travessia. “A população não concorda que a ponte funciona para uns e para outros não. É certo que os caminhões não passam mais, mas a comunidade quer que liberem pelo menos para carros pequenos para diminuir o sofrimento”, afirmou Luciara.
Nota ATR:
A Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR) esclarece que a empresa PIPES Empreendimentos Ltda., autorizada em caráter excepcional e temporário para realizar a travessia entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, opera com duas balsas e informou ao órgão que está estudando a disponibilização de uma embarcação de maior porte para atendimento de carros e caminhões em geral.
Além disso, a Pipes informou que terá destinação de uma embarcação específica para o transporte de caminhões que transportam combustíveis, com o objetivo de melhorar o fluxo operacional, reduzir o tempo de espera e dar maior segurança à operação.
A Agência também destaca que a autorização concedida foi adotada como medida imediata para assegurar a continuidade da mobilidade de pessoas, veículos e mercadorias após a interdição total da ponte pelo DNIT.
A ATR esclarece ainda que acompanha e fiscaliza continuamente a prestação do serviço, e o descumprimento das disposições previstas no Termo de Autorização, pode implicar na aplicação de penalidades administrativas, incluindo advertência, multa, suspensão ou até cassação da autorização, a depender da gravidade da infração.
Por fim, a ATR reforça que seguirá avaliando medidas que contribuam para a melhoria da operação e redução dos impactos causados à população e aos setores econômicos da região.
Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR).
