Wanderlei Barbosa autorizou Medicina da Unirg em Colinas, no momento em que exame nacional revela baixa avaliação de curso

Por Sandra Miranda – Jornalista e advogada

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, autorizou a abertura do curso de Medicina no câmpus da Universidade de Gurupi (UnirG), em Colinas do Tocantins, no momento em que a própria instituição figura entre as faculdades do estado com desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

O exame, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostrou que cerca de 30% dos cursos de Medicina do país ficaram nas faixas mais baixas de avaliação.

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No Tocantins, três faculdades tiveram cursos classificados com conceito Enade faixa 2 (conceito máximo da avaliação é 5), índice considerado insatisfatório pelo Inep: a Universidade de Gurupi (UnirG), o Afya Centro Universitário de Araguaína e a Afya Faculdade de Porto Nacional. A UnirG é uma instituição pública municipal, mantida pela Fundação UnirG, enquanto as unidades da Afya pertencem a um grupo privado com fins lucrativos, focado na formação médica.

Desempenho nacional

O Enamed é anual e foi realizado pela primeira vez em 2025 com resultados que apontam que 107 cursos de Medicina no país receberam notas 1 ou 2, consideradas insatisfatórias. Desse total, 24 cursos obtiveram conceito 1, o mais baixo da avaliação, e outros 83 ficaram com conceito 2. Ao todo, 351 cursos foram avaliados, com a participação de cerca de 89 mil estudantes de diferentes fases da graduação.

Entre os alunos concluintes — aproximadamente 39 mil, que estão próximos de ingressar no mercado de trabalho — apenas 67% alcançaram resultado considerado proficiente. Quase 13 mil estudantes não demonstraram desempenho satisfatório na avaliação, segundo o Inep.

Universidades do Tocantins avaliadas no Enamed e suas respectivas notas – Foto: Divulgação/Reprodução

Penalidades previstas

As instituições com conceitos 1 ou 2 estarão sujeitas a penalidades, como redução de vagas e restrições de acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a outros programas federais. Em coletiva nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Camilo Santana, informou que, dos 107 cursos mal avaliados, 99 serão penalizados, já que cursos estaduais e municipais não estão sob gestão direta do Ministério da Educação.

“É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, disse o ministro.

Entre as medidas anunciadas, oito cursos terão suspensão total de novos ingressos; 13 deverão reduzir pela metade o número de vagas; 33 terão corte de 25%; e 45 ficarão impedidos de ampliar vagas. As instituições ainda poderão apresentar defesa.

Perfil das instituições

O levantamento mostra que os piores resultados se concentram nas instituições públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas faixas 1 e 2. As instituições privadas com fins lucrativos também tiveram desempenho abaixo da média, com 58,4% dos cursos nessas faixas. Já os melhores resultados foram registrados em universidades públicas federais e estaduais, onde mais de 80% dos cursos alcançaram conceitos 4 e 5.

Debate no Tocantins

A autorização do curso de Medicina da UnirG em Colinas ocorre em meio a questionamentos institucionais no estado. Em 7 de janeiro de 2026, o Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) divulgou nota contrária à abertura do curso, após visita técnica às estruturas previstas para funcionamento da unidade.

Segundo o conselho, foram identificadas limitações como prédio inacabado, hospital municipal com 70 leitos — número considerado insuficiente para a formação médica — e ausência de equipes completas de especialidades. O CRM-TO também criticou a proposta de realização de estágios em municípios vizinhos, como Araguaína.

Dias depois, uma decisão liminar da Justiça determinou a retirada da nota das redes sociais do conselho, sob o entendimento de que a entidade extrapolou suas atribuições ao avaliar a implantação do curso.

Autorização

Apesar das controvérsias, o governador Wanderlei Barbosa anunciou, no dia 09 de janeiro, a aprovação do curso de Medicina da UnirG em Colinas, durante plenária do Conselho Estadual de Educação do Tocantins (CEE-TO). A autorização prevê a oferta inicial de 60 vagas, com início das aulas em fevereiro de 2026.

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