A integração lavoura-pecuária (ILP) tem avançado no Tocantins como estratégia para intensificar a produção rural, reduzir custos e recuperar áreas degradadas. O modelo permite alternar ou combinar culturas agrícolas e criação de gado na mesma área ao longo do ano, aproveitando as condições climáticas favoráveis do estado e a forte presença da agricultura e da pecuária.
Estudos apontam que o sistema pode elevar o rendimento por hectare, reduzir gastos com recuperação de pastagens e melhorar as condições do solo.
Ganho produtivo e recuperação do solo
Segundo o presidente da Associação de Pecuaristas do Tocantins – Novilho Precoce, Fernando Penteado, o calendário agrícola amplia as possibilidades de uso da terra.
“O produtor pode fazer a soja, depois a safrinha de milho, lançar o capim e, em seguida, colocar o gado. Em alguns casos, consegue trabalhar soja, milho e depois o capim, criando a possibilidade de uma terceira safra e ainda gerar renda com o rebanho”, afirma.
Ele destaca que os benefícios vão além do retorno econômico.
“A integração contribui para o aumento da matéria orgânica no solo, fundamental para manter fertilidade e estrutura adequadas. Com manejo correto do pastejo e organização das áreas, é possível recuperar solos e sustentar a produtividade ao longo dos ciclos”, diz.
Pesquisas também indicam aumento no estoque de carbono em áreas integradas, em comparação com sistemas convencionais, o que reforça o papel da ILP na sustentabilidade ambiental.
Planejamento e manejo
Produtores que adotam o modelo relatam resultados positivos. Renato Schneider, vice-presidente da Novilho Precoce Tocantins, afirma que o sistema exige planejamento entre lavoura e pecuária.
“A integração faz parte do nosso planejamento há anos. Trabalhamos com áreas próximas à estrutura da fazenda, o que facilita o manejo, especialmente no período de parição. Utilizamos identificação do rebanho, pastejo rotacionado com cerca elétrica e divisão estratégica dos talhões, garantindo maior controle e eficiência”, explica.
A disponibilidade de água é outro fator determinante.
“Priorizamos áreas com boa oferta hídrica, próximas a represas e córregos perenes, o que assegura abastecimento ao longo do ano e estabilidade produtiva tanto para o gado quanto para a lavoura”, destaca.
Segundo ele, o sistema tem apresentado resultados consistentes.
“Temos obtido desempenho consistente na pecuária e na soja. O pasto melhora as condições do solo e, na sequência, a lavoura responde com produtividade. É um modelo eficiente e sustentável na nossa realidade”, afirma.
Parcerias e expansão nacional
A entidade também tem incentivado a aproximação entre agricultores e pecuaristas.
“Estamos trabalhando em parceria com a Aprosoja Tocantins para aproximar produtores. A ideia é que conversem, façam negócios e entendam como podem atuar juntos, seja no compartilhamento de áreas, seja na troca de experiências”, afirma Penteado.
O avanço da integração no Tocantins acompanha uma tendência nacional. Dados da Rede ILPF indicam que o Brasil já supera 17 milhões de hectares com sistemas integrados de produção, incluindo modelos que combinam lavoura, pecuária e floresta. A expectativa é de crescimento, impulsionado pela busca por maior eficiência e sustentabilidade no campo.
