Eleita com votos da direita no Tocantins, senadora Dorinha vota 88% com o governo Lula; Irajá Abreu 75% e Eduardo Gomes, 64%
Sandra Miranda – Jornalista e advogada
A senadora do Tocantins, Dorinha Rezende (União Brasil), seguiu durante todo o seu mandato até o momento (março de 2026), as orientações do líder do governo no Senado Federal, e votou em matérias favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em 88% das votações nominais.
Eleita em 2022 apresentando-se como candidata com perfil de direita e conservadora – o mesmo campo político que majoritariamente votou em Jair Bolsonaro – ela recebeu os votos do eleitorado que se identifica desta forma, e durante o seu mandato a parlamentar apresentou o maior índice de governismo entre os três senadores do estado.
Comparação entre os senadores do Tocantins:
Os dados indicam que os três senadores do estado votaram em sua maioria a favor de matérias de interesse da Presidência da República, mas em proporções diferentes:
1º lugar: Dorinha Rezende (UB) – Com 88% de votos favoráveis a Lula;
2º lugar: Irajá Abreu (PSD) – Com 75% de votos favoráveis a Lula;
3º lugar: Eduardo Gomes (PL) – Com 64% de votos favoráveis a Lula.
A grande questão agora é: qual candidato a presidente da República a Dorinha Rezende vai apoiar nestas eleições? Como a senadora é a mais governista do Tocantins, como mostram os números, a impressão que se tem é que ela deve acabar apoiando a reeleição do presidente Lula, do PT. Aliás, já está se ventilando a possibilidade da Dorinha ter o PT nacional como apoiador da sua candidatura ao governo do Tocantins. Seria uma retribuição do partido às votações da senadora?
Outro questionamento é: como se comportará o eleitorado da direita no Tocantins, frente ao governismo de Dorinha Rezende? A tendência de Irajá Abreu, como se sabe é apoiar a reeleição do Lula, já o Eduardo Gomes, como também se sabe, deverá ficar com um candidato de direita ou centro/direita.
O levantamento do Jornal Primeira Página sobre como votam os senadores, foi baseado em dados da plataforma Radar do Congresso, do site Congresso em Foco, e mostra que Dorinha é a mais governista da bancada tocantinense, superando inclusive o senador Irajá Abreu (PSD), que integra a base aliada do presidente Lula e é filho da ex-senadora Kátia Abreu, bastante próxima dos governos do PT e dos partidos de esquerda em geral, tendo sido ministra da Agricultura do governo de Dilma Roussef (PT).
Enquanto o comportamento de Irajá Abreu já é esperado pelo eleitor tocantinense, a atitude de Dorinha e Eduardo Gomes, de forte alinhamento com Lula, chama mais atenção. Gomes, por ser presidente do PL no estado, a sigla de maior oposição ao presidente da República e o partido de Jair Bolsonaro, e por ter sido eleito em 2018 no campo da direita. E no caso de Dorinha, que também recebeu milhares de votos dos eleitores de direita, o índice de governismo dela ser superior ao do próprio Irajá Abreu.
Atuação e relação com o governo
Durante o seu mandato, Dorinha chegou a ocupar a função de vice-líder do governo de Lula no Senado, após indicação do senador Jaques Wagner, da Bahia, uma das principais lideranças do PT. Posteriormente, com a decisão do União Brasil no ano passado de se afastar formalmente da base governista, a senadora deixou a função, mas manteve, segundo os dados analisados (março de 2026), um padrão de votação majoritariamente favorável ao Executivo.
Entre as matérias em que ela votou com o governo estão propostas de grande impacto, como a Reforma Tributária, aprovada pelo Congresso Nacional, entre diversas outras.
Repercussão após matéria sobre CPI
No dia 11 de março, o Jornal Primeira Página publicou que os três senadores do Tocantins não haviam assinado o requerimento de criação de uma CPI no Senado, proposta pelo senador Alessandro Vieira. A CPI tem como foco investigar as relações entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso.
VEJA AQUI A REPORTAGEM SOBRE A CPI NO SENADO
A CPI foi proposta após a divulgação, pela imprensa nacional, de mensagens trocadas entre os dois ministros com Vorcaro, que estavam armazenadas no celular do banqueiro apreendido pela Polícia Federal. O caso envolvendo o Banco Master tem ganhado repercussão nacional e até internacional, sendo tratado como um dos escândalos recentes de maior impacto político e institucional no país, com o povo brasileiro mostrando-se estarrecido e indignado. Milhões de clientes do Master, que foi liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado, perderam o seu dinheiro.
A publicação do Jornal sobre os senadores do Tocantins não terem assinado a CPI no Senado, gerou forte repercussão no estado, especialmente entre eleitores de direita-conservadores. A postagem da matéria nos perfis do Jornal e da jornalista Sandra Miranda nas redes sociais, alcançou, até o momento, mais de 150 mil visualizações e milhares de comentários que criticaram a posição dos parlamentares, com maior concentração de reações negativas direcionadas à senadora Dorinha Rezende, pelo fato de ela estar em maior evidencia, por ser pré-candidata ao governo do Tocantins.
A reação inicial da senadora Dorinha foi publicar em seu perfil que a matéria do Jornal não era verdadeira, que “era coisa de opositores e que era fake news”, procurando ainda desviar do assunto, mascarando a situação, ao afirmar que ela tinha sim assinado a CPMI do Banco Master, quando a parlamentar bem sabia que se tratavam de duas CPIs distintas.
A primeira, de 03 fevereiro, mista (das duas Casas), que ela assinou, e a segunda, de 09 março, só do Senado, que a senadora não tinha assinado. Detalhe: o Jornal Primeira Página deixou claro na sua reportagem, que a CPMI de fevereiro ela assinou, e também esclareceu que não obteve retorno da sua assessora de imprensa, Cidiane Carvalho, antes da publicação, e que o espaço se encontrava a disposição, mandamentos do bom jornalismo profissional.
“Causa estranheza que uma senadora, que pretende governar o Tocantins, utilize de artimanha para querer desmerecer o trabalho da imprensa, e principalmente, queira enganar o eleitor tocantinense sobre uma votação tão importante”, declara a jornalista Sandra Miranda, editora-chefe do Jornal Primeira Página.
“Se na pré-campanha Dorinha Rezende está querendo iludir o eleitor, disfarçar uma situação, atacar um jornal tradicional e com muita credibilidade, e principalmente, enganar o eleitor de direita/conservador que votou nela em 2022, o que o Tocantins pode esperar pela frente, caso ela venha a ser eleita governadora?, questiona Sandra Miranda.
Somente após a repercussão negativa da matéria publicada pelo Jornal Primeira Página, a senadora Dorinha mudou de ideia e apresentou requerimento solicitando que sua assinatura na CPI fosse incluída. A parlamentar enviou para o veículo o requerimento com a solicitação da sua assinatura, com data posterior à publicação da reportagem.
VEJA AQUI A SEGUNDA REPORTAGEM DEPOIS QUE DORINHA ASSINOU A CPI NO SENADO
Como consultar as votações dos parlamentares no Senado Federal e na Câmara Federal:
As votações nominais dos parlamentares federais – quando o voto de cada senador e deputado federal é registrado individualmente – podem ser consultadas por qualquer cidadão em plataformas como o Radar do Congresso, do site Congresso em Foco. No site, basta pesquisar pelo nome do parlamentar para acessar seu histórico de votações, verificar posicionamentos e acompanhar o grau de governismo em diferentes matérias.
Procurada pelo Jornal Primeira Página, que perguntou sobre a posição da senadora Dorinha nas votações com o governo Lula, desta vez, a assessora de imprensa dela, Cidiane Carvalho, resolveu responder, enviando a seguinte nota:
“A senadora Professora Dorinha tem uma atuação independente e coerente com aquilo que sempre defendeu: votar de acordo com o interesse do Tocantins e com o mérito de cada proposta.
Como líder da Bancada Feminina no Senado, a sua atuação é sempre com base em critérios técnicos, responsabilidade fiscal e impacto real na vida das pessoas.
Percentuais baseados em alinhamento com orientação de governo não refletem, por si só, posicionamento ideológico, até porque também há a orientação do seu partido União Brasil nas votações.
A posição da senadora continua a mesma desde a campanha: independência, responsabilidade e compromisso com o Tocantins”.
