Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o setor cultural emprega cerca de 5,9 milhões de pessoas no Brasil e movimenta R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB). As informações foram divulgadas durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC).
O levantamento mais recente do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) mostra que, em 2022, o país contabilizava 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, responsáveis por empregar 2,6 milhões de pessoas. A massa salarial do setor chegou a R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal superior à média nacional.
O estudo considera não apenas atividades artísticas, mas também setores ligados à economia criativa, como produção audiovisual, fabricação de mídias, softwares, equipamentos e serviços associados. Com esse recorte ampliado, a cultura representa 6,8% do total de empresas do país e 4,2% do pessoal ocupado formalmente. Em 2023, as atividades culturais registraram R$ 910,6 bilhões em receita líquida.
Informalidade e desigualdades regionais
Apesar da participação econômica do setor, os dados apontam alto índice de informalidade. Em 2024, a cultura reuniu 5,9 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 5,8% do total de pessoas ocupadas no país. Desse total, 44,6% atuavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria.
O levantamento também indica que 30,1% dos trabalhadores da cultura possuem ensino superior completo, percentual superior à média nacional, mas ainda enfrentam vínculos de trabalho considerados precários.
Os dados também apontam desigualdades regionais. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam maior participação do setor cultural no total de ocupados, enquanto unidades da Região Norte registram índices mais baixos.
Para o coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, os números dialogam com a realidade de trabalhadores do setor no estado.
Preços e acesso digital
O estudo também apresentou o Índice de Preços da Cultura (IPECult), que registrou variação inferior ao índice geral de inflação entre 2020 e 2024, indicando relativa estabilidade nos preços de bens e serviços culturais.
Outro dado destacado é o avanço do acesso digital. Cerca de 90% da população com 10 anos ou mais utilizou a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Entre as práticas culturais online mais frequentes estão assistir a vídeos, ouvir músicas ou podcasts e ler notícias ou livros digitais.
Turismo cultural
Os dados também apontam a relevância do turismo cultural e de natureza. Em 2024, foram registradas cerca de 1,7 milhão de viagens motivadas principalmente por cultura e gastronomia, além de 1,5 milhão com foco em natureza, ecoturismo e aventura.
Segundo o levantamento, o patrimônio histórico, cultural e natural tem potencial para estimular o desenvolvimento econômico e a geração de renda em diferentes regiões.
Comitê de Cultura no Tocantins
O Comitê de Cultura no Tocantins é formado por uma parceria entre a Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) e o Instituto Social Cultural Araguaia (ISCA).
Com sede em Palmas, o comitê integra o Programa Nacional de Comitês de Cultura do Ministério da Cultura (MinC) e possui representações regionais em Gurupi, que atende as regiões sul e sudeste do estado, e em Araguaína, responsável pela atuação no norte do Tocantins.
Informações: Cinthia Abreu
