A investigação sobre a queda do avião de pequeno porte que matou o médico Éderson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62 anos, na zona rural de Palmas, entrou em uma nova etapa. Técnicos do 6º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VI), órgão vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), iniciaram os trabalhos para apurar as causas do acidente registrado na manhã de sábado (18).
Os investigadores realizaram os primeiros levantamentos no local da queda, incluindo a coleta de vestígios, análise dos danos provocados na aeronave e outras informações que poderão auxiliar na identificação dos fatores que contribuíram para o acidente. Segundo o Cenipa, o objetivo da investigação é prevenir novas ocorrências, com a eventual emissão de recomendações de segurança, e não atribuir responsabilidades civis ou criminais.
De acordo com a Polícia Militar, testemunhas relataram que ouviram um forte “estalo” logo após a decolagem. Em seguida, o avião perdeu altitude e atingiu árvores antes de cair em uma área de vegetação entre Palmas e Lajeado. Conforme o subtenente Renato Ferreira, a suspeita é de que o piloto tenha tentado alcançar uma área aberta para um pouso de emergência, mas não conseguiu evitar o impacto.
A aeronave havia decolado de um aeródromo particular localizado na zona rural de Palmas e seguia para Redenção, no sul do Pará. O piloto Hamilton Lopes da Conceição, proprietário do avião, sobreviveu ao acidente e permanece internado no Hospital Geral de Palmas (HGP). O estado de saúde dele é considerado instável.
Éderson da Silva e Roseli Amarilda Pechulo Silva eram proprietários do Hospital São Lucas, em Redenção. O médico tinha mais de quatro décadas de atuação na profissão, enquanto Roseli também era conhecida por ter atuado como professora na rede pública. Ela morreu ainda no local da queda. Éderson chegou a ser retirado das ferragens com vida, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e não resistiu.
Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião, modelo EMB-721C, foi fabricado em 1977 e estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido até 2027, o que indica que a documentação necessária para operação estava regular.
O aeródromo de onde a aeronave decolou também foi alvo de esclarecimentos após informações iniciais indicarem irregularidades. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o local está atualmente com cadastro regular sob a denominação JFM Demito. A agência explicou que as pendências administrativas e a interdição ocorreram durante um período anterior, antes da alteração de propriedade e da regularização cadastral, permanecendo apenas uma disputa judicial sobre a administração da infraestrutura, sem relação com a investigação das causas do acidente.
Os corpos do casal foram levados para Redenção, onde familiares, amigos e moradores prestaram as últimas homenagens durante o velório realizado na Igreja Matriz da Paróquia Cristo Redentor. O sepultamento aconteceu na manhã desta segunda-feira (20), no cemitério municipal da cidade.
