Tocantins está entre áreas com maior risco de incêndios florestais durante a estiagem, aponta Cemaden

O Tocantins está entre os estados brasileiros que devem enfrentar maior risco de incêndios florestais nos próximos meses, segundo projeção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A previsão considera o período de julho a setembro e indica que a estiagem, aliada à possibilidade de formação do fenômeno El Niño, pode aumentar as condições favoráveis à propagação do fogo.

O alerta ocorre após um ano de redução da área queimada no país. Em 2025, o Brasil registrou o terceiro menor índice de incêndios da série histórica iniciada em 2012. Apesar disso, especialistas avaliam que o cenário climático previsto para este ano exige reforço das ações de prevenção, especialmente em estados localizados no Cerrado e na Amazônia.

Estado integra áreas de maior atenção

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Segundo o Cemaden, os maiores riscos de incêndios concentram-se no Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia, abrangendo partes de Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e áreas do Tocantins.

O estado também faz parte da região conhecida como Matopiba, que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e apresenta grandes extensões classificadas em situação de alerta e atenção para ocorrência de fogo.

De acordo com o órgão, a combinação entre vegetação mais seca, baixa umidade do ar e intensa atividade agropecuária favorece o surgimento e a propagação de incêndios durante este período do ano.

Possível retorno do El Niño preocupa especialistas

O risco é reforçado pela possibilidade de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático que altera o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o El Niño costuma provocar aumento das temperaturas e redução das chuvas nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, criando condições mais propícias para queimadas.

O pesquisador Christopher Cunningham, coordenador do Grupo de Estudos de Fogo do Cemaden, afirma que episódios recentes do fenômeno, registrados entre 2015 e 2016 e entre 2023 e 2024, ampliaram os períodos de calor e seca em diversas regiões do país, aumentando a suscetibilidade aos incêndios florestais.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), dos Estados Unidos, havia, em junho, 63% de probabilidade de formação de um episódio de El Niño de intensidade muito forte, embora a evolução do fenômeno ainda dependa das condições climáticas dos próximos meses.

Governo amplia estrutura de prevenção

Após os incêndios registrados em 2024, quando o Brasil teve a maior área queimada desde 2012, o governo federal ampliou a estrutura destinada à prevenção e ao combate ao fogo.

Entre as medidas adotadas está a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, em vigor desde 2024, que prioriza ações preventivas, planejamento e o uso controlado do fogo em situações específicas, além da integração entre governos e órgãos ambientais.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o orçamento destinado às ações de prevenção e combate aos incêndios florestais ultrapassa R$ 1 bilhão em 2026, o maior já direcionado à área. A estrutura contará com 240 brigadas, mais de 4,4 mil brigadistas contratados, servidores federais e reforço de aeronaves e equipamentos especializados.

Parte dessa estrutura será instalada em estados considerados estratégicos, entre eles o Tocantins, que receberá um posto de comando para apoiar as operações durante a temporada de incêndios.

Especialistas defendem foco na prevenção

Apesar do reforço operacional, pesquisadores alertam que a ampliação da estrutura de combate não elimina os riscos de uma temporada severa de incêndios.

A pesquisadora Lívia Carvalho Moura, do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), avalia que fatores como mudanças climáticas, expansão de áreas degradadas e uso inadequado do fogo continuam aumentando a vulnerabilidade de estados como o Tocantins.

Segundo ela, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo representa um avanço, mas sua implementação ainda depende da adesão de estados, municípios e do setor privado, além da manutenção dos investimentos em prevenção, contratação de brigadistas e infraestrutura.

Com informações Jornal Opção

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