Gêmeos siameses de família de Palmas morrem dias antes de cirurgia de separação
Os irmãos siameses Bernardo e Eduardo, que nasceram unidos pelo abdômen em Goiânia (GO), morreram neste domingo (7) após complicações de saúde que levaram a uma cirurgia de emergência. Os bebês eram filhos de um casal de Palmas e estavam internados desde o nascimento, ocorrido em maio, à espera de um procedimento de separação que estava marcado para a próxima quarta-feira (10).
A informação foi divulgada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, referência nacional em cirurgias de separação de gêmeos siameses, por meio das redes sociais.
Segundo o médico, Bernardo apresentou no sábado (6) um quadro grave de enterocolite necrotizante intestinal, doença que provoca inflamação severa no intestino e pode evoluir rapidamente em recém-nascidos.
De acordo com Calil, o bebê sofreu uma parada cardíaca irreversível. Diante da situação, a equipe médica decidiu realizar uma cirurgia de emergência para tentar salvar Eduardo.
“O Eduardo continuou com sinais vitais preservados. Não tivemos outra opção a não ser ir para uma cirurgia de emergência. Conseguimos fazer a separação, mas o Eduardo não resistiu”, informou o médico.
Ainda segundo ele, a equipe realizou diversas tentativas de reanimação durante aproximadamente 50 minutos no centro cirúrgico.
A separação dos irmãos já vinha sendo planejada pela equipe médica e estava marcada para acontecer de forma programada no dia 10 de junho.
Segundo Zacharias Calil, todos os preparativos para o procedimento estavam concluídos, mas a piora repentina do estado de saúde de Bernardo tornou necessária uma intervenção emergencial.
“Estávamos todos preparados para fazer essa cirurgia eletivamente. Mas, infelizmente, na medicina a gente não tem uma ciência exata”, afirmou.
Bernardo e Eduardo eram filhos de Aline Silva Santos Gomes e Gleibson Gomes, moradores de Palmas.
Durante a gestação, a família se mudou temporariamente para Goiânia para acompanhar o pré-natal especializado e o nascimento dos bebês.
Um detalhe que chamou atenção durante a gravidez foi o fato de Aline também ser gêmea. Sua irmã, Alice, técnica de enfermagem em Palmas, acompanhou o parto e parte do tratamento dos sobrinhos.
Na época do nascimento, Zacharias Calil explicou que a condição dos irmãos exigia cuidados especiais porque eles compartilhavam o fígado, um dos órgãos mais importantes do organismo.
Segundo o especialista, casos de gêmeos siameses possuem incidência estimada de um para cada 150 mil nascimentos, sendo considerados raros.
O compartilhamento de órgãos vitais aumenta significativamente a complexidade das cirurgias de separação e dos cuidados médicos necessários após o nascimento.
A morte dos irmãos gerou comoção entre familiares, profissionais de saúde e pessoas que acompanhavam a história dos bebês desde a gravidez.
Nas redes sociais, Zacharias Calil pediu orações e solidariedade à família.
“Peço a todos orações, que Deus conforte a família. Nós estamos certos de que fizemos todo o possível”, declarou.
