Número de famílias endividadas no país chega ao maior nível da série histórica
O endividamento das famílias brasileiras voltou a bater recorde em 2026 e já atinge oito em cada dez lares no país. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,4% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em março deste ano.
O índice representa aumento em relação a fevereiro, quando o percentual era de 80,2%, e também supera março de 2025, quando o indicador estava em 77,1%. O levantamento considera compromissos financeiros como cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, cheque especial, carnês e prestações de veículos e imóveis.
Além do crescimento do endividamento, a inadimplência também segue elevada. Segundo a pesquisa, 29,6% das famílias afirmaram ter contas em atraso. Já 12,3% disseram não ter condições de quitar as dívidas pendentes.
Cartão de crédito lidera dívidas
Entre as modalidades mais comuns, o cartão de crédito continua liderando como principal fonte de endividamento das famílias brasileiras. A CNC aponta que o aumento do custo de vida, os juros elevados e a necessidade de complementar a renda têm pressionado o orçamento doméstico.
Apesar disso, o levantamento identificou uma leve melhora em alguns indicadores. O percentual médio da renda comprometida com dívidas caiu para 29,6%, enquanto o número de famílias que destinam mais da metade da renda para pagamentos também apresentou pequena redução.
Famílias de baixa renda seguem mais afetadas
Os maiores índices de endividamento continuam concentrados entre as famílias de menor renda. Entre os brasileiros que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chega a 82,9%.
Já entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o índice é menor, atingindo 69,3%. Mesmo assim, a pesquisa mostra avanço do endividamento em praticamente todas as faixas de renda.
Especialistas avaliam que, apesar de alguns sinais pontuais de reorganização financeira, o cenário ainda inspira preocupação, principalmente devido ao alto nível de comprometimento da renda e à dificuldade de parte da população em sair da inadimplência.
