Semana Santa celebra paixão, morte e ressurreição de Cristo e convida fiéis à reflexão, diz arcebispo de Palmas
A Semana Santa é o período mais importante da fé cristã e concentra o sentido central do cristianismo, ao celebrar a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em entrevista ao Jornal Primeira Página, o arcebispo de Palmas, Dom Pedro Brito Guimarães, afirmou que o momento não se resume a ritos ou tradições, mas representa o “coração do cristianismo” e convida os fiéis a uma vivência mais profunda da fé, marcada pela reflexão, pelo silêncio e pela entrega.
“A Semana Santa é quando celebramos o mistério pascal, que é a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. É o centro da nossa fé. Somos a Igreja da ressurreição”, afirmou Dom Pedro.
Páscoa dá sentido a toda a vida de Cristo
Segundo o arcebispo, embora o Natal seja uma das celebrações mais populares, é na Páscoa que está o sentido pleno da fé cristã.
“A Páscoa ilumina todas as outras dimensões da vida de Cristo. É o momento em que entendemos o sentido da encarnação e da salvação”, explicou.
Ele destacou que a Semana Santa faz parte de um longo período litúrgico, que envolve preparação e continuidade.
“Nós dedicamos cerca de 100 dias a esse mistério, entre a Quaresma, a Semana Santa e o tempo pascal. Isso mostra o quanto esse momento é essencial para a Igreja”, disse.
Ritos organizam a vivência da fé
Dom Pedro explicou que os ritos seguem o rito romano, adotado pela Igreja Católica no Brasil, e são organizados a partir de uma tradição que remonta aos primeiros séculos do cristianismo.
“Os ritos são a forma como a Igreja organiza e expressa a fé. Eles ajudam a viver e compreender esse mistério”, afirmou.
Entre os principais momentos estão o Domingo de Ramos, que marca a entrada de Jesus em Jerusalém, a Quinta-feira Santa, com a celebração da Ceia do Senhor, a Sexta-feira da Paixão e a Vigília Pascal.
“Da quinta-feira ao sábado, nós celebramos um único mistério: a ceia, a cruz e a ressurreição. São três momentos que formam uma só celebração”, explicou.
Ele ressaltou que algumas manifestações, como procissões e encenações, são opcionais, enquanto os ritos centrais são considerados essenciais para a vivência da Semana Santa.
Paixão de Cristo dialoga com a realidade atual
Para o arcebispo, a mensagem da Semana Santa também ajuda a compreender os desafios do mundo contemporâneo.
“A paixão de Cristo não é só de Cristo, é da humanidade. Nós vivemos uma verdadeira paixão no nosso tempo, nas guerras, nas doenças, nas dificuldades sociais”, afirmou.
Segundo ele, o sofrimento humano pode ser compreendido à luz da experiência de Cristo.
“Cada pessoa vive, de alguma forma, a sua paixão. O sentido é unir esse sofrimento ao de Cristo, que deu a vida por todos”, disse.
‘Entrega’ é chave para viver a Semana Santa
Ao final da entrevista, Dom Pedro destacou que a vivência da Semana Santa exige mais do que participação nos ritos, mas uma atitude concreta de fé.
“Se queremos celebrar a Páscoa de verdade, precisamos nos perguntar o que estamos dispostos a entregar. Jesus se entregou por amor”, afirmou.
Ele lembrou que, ao longo do Evangelho da Paixão, a palavra “entrega” aparece diversas vezes, simbolizando o sentido maior da mensagem cristã.
“A fé não pode ficar na superfície. É preciso ir à raiz, compreender o essencial e viver isso no dia a dia”, concluiu.
