Mulher dada como morta e morte de jornalista expõem deficiência no ensino médico revelada por exame

Dois episódios recentes expuseram falhas graves no atendimento médico no país e ocorreram às vésperas da divulgação do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que apontou que cerca de 30% dos cursos de Medicina ficaram nas faixas mais baixas de avaliação.

No domingo, 18 de janeiro de 2026, em Bauru (SP), uma mulher atropelada na rodovia SP-294 foi declarada morta por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. O corpo chegou a ser coberto sobre a pista e o Instituto Médico Legal foi acionado. Minutos depois, um médico socorrista da concessionária que administra a via percebeu sinais respiratórios e iniciou manobras de reanimação. A vítima foi encaminhada em estado grave ao hospital.

Um dia antes, em 17 de janeiro de 2026, morreu o jornalista Erlan Bastos, aos 32 anos. Natural de Manaus, ele comandava o programa Bora Amapá, na NCTV, afiliada da Band, e foi sepultado em Teresina (PI).

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Durante uma edição ao vivo do programa, Erlan relatou ter procurado uma Unidade de Pronto Atendimento por quatro vezes, com dores abdominais e outros sintomas persistentes. Segundo o jornalista, foi inicialmente orientado a tratar gases e liberado sem exames. Mesmo após realizar exames em uma das consultas, recebeu alta médica. Apenas na última ida foi encaminhado ao hospital, onde recebeu o diagnóstico de tuberculose peritoneal, uma forma rara da doença. Ele chegou a ser internado e entubado, mas não resistiu.

No Tocantins, três instituições tiveram desempenho enquadrado na faixa 2: a Universidade de Gurupi, o Afya Centro Universitário de Araguaína e a Afya Faculdade de Porto Nacional. A divulgação ocorre dias após o governador Wanderlei Barbosa autorizar a abertura de um novo curso de Medicina da UnirG, em Colinas do Tocantins, decisão que vinha sendo questionada por entidades médicas.

O Enamed prevê sanções às instituições mal avaliadas, como redução de vagas e restrições a programas federais. Para o Ministério da Educação, o exame funciona como instrumento de monitoramento e correção. Os episódios recentes, no entanto, indicam que os efeitos de uma formação deficiente não se restringem às estatísticas — e já se refletem no atendimento à população.

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