Vozes que atravessaram décadas; como o rádio se tornou essencial na integração do Tocantins
O rádio no Tocantins acompanha a própria formação social do estado e segue como um dos principais meios de comunicação e integração regional. De experiências improvisadas, como rádios-poste e transmissões caseiras, até a consolidação de emissoras estruturadas, a trajetória de profissionais como Pimenta e Nilson Bittar jornalista, radialista e pós-graduado em Marketing Digital ajuda a contar essa história.
Dos improvisos às primeiras transmissões
Antes mesmo da criação do estado, iniciativas precárias já levavam informação à população. Em um cenário de pouca estrutura, a comunicação dependia de soluções improvisadas e criatividade.
“Foi em 1985, na primeira rádio pirata do Sudeste do Tocantins. O transmissor era caseiro e o alcance muito limitado”, afirma Bittar.
As chamadas rádios-poste e emissoras clandestinas foram os primeiros passos de um meio que, aos poucos, se tornaria essencial para a população.
Rádio rompe isolamento e conecta regiões
Com a expansão das emissoras, o rádio passou a exercer papel central na integração do território. Em um estado com grandes distâncias e poucos meios de comunicação, o rádio conectava cidades e comunidades.
Experiências como a Rádio Tocantins, inaugurada em 1982, levaram programação, recados e notícias para dentro das casas, criando uma rede de comunicação acessível.
“O rádio teve grande importância na integração do estado, formando uma teia de informação entre as regiões”, explica Bittar.
Carreiras que cresceram junto com o meio
A trajetória de Pimenta acompanha essa evolução. Com cerca de 50 anos de atuação, ele iniciou ainda nos primeiros anos do rádio na região e participou diretamente da expansão do setor.
“Eu estou no rádio desde o início no Tocantins. Comecei na Rádio Anhanguera e nunca mais parei”, relata.
Ao longo da carreira, além de atuar em emissoras tradicionais, ele também investiu na criação de rádios no interior, ampliando o acesso à informação em diferentes regiões do estado.
Desafios marcaram os pioneiros
Os primeiros profissionais do rádio enfrentaram uma série de dificuldades estruturais. Em muitas cidades, faltavam equipamentos, técnicos e até energia elétrica constante.
Apesar das limitações, o rádio se consolidou como o principal meio de comunicação, sendo amplamente aceito pela população e cumprindo papel fundamental no cotidiano das comunidades.
Transformação com a chegada da internet
Com o avanço tecnológico, o rádio passou por mudanças significativas. A chegada da internet ampliou o alcance das emissoras e modificou a linguagem, aproximando o meio de formatos multimídia.
“As diferenças são gritantes, principalmente na tecnologia e na forma de comunicar”, avalia Bittar.
Hoje, muitas emissoras transmitem também por vídeo e plataformas digitais, mantendo o rádio presente em diferentes ambientes.
Um meio que se reinventa e permanece
Mesmo diante da concorrência com outras mídias, o rádio segue relevante e em constante adaptação.
“O rádio jamais morrerá. Ele se reinventa e caminha junto com as novas mídias”, completa Bittar.
Mais do que um veículo de informação, o rádio no Tocantins permanece como espaço de memória, identidade e conexão social, sustentado por vozes que ajudaram a construir a história do estado.
