“São 13 anos esperando por uma casa”; ansiedade e frustração marcam reação de inscritos do Parque dos Ipês
A divulgação da lista de famílias consideradas aptas a participar do processo de hierarquização das 496 unidades habitacionais dos Residenciais Parque dos Ipês I, II e III, em Palmas, reacendeu a ansiedade de milhares de inscritos que aguardam há mais de uma década por moradia própria.
Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação, a relação publicada contempla 14.905 pessoas com dados atualizados nos últimos dois anos, todas aptas a participar da etapa de hierarquização e seleção. O número evidencia a dimensão da disputa: são quase 15 mil inscritos para 496 unidades habitacionais.
A lista publicada pela Prefeitura não representa pré-seleção nem garantia de contemplação, mas muitos candidatos interpretaram inicialmente a divulgação como sinal de que já haviam sido escolhidos.
“Que Deus possa me abençoar, são mais de 13 anos aguardando”, escreveu uma leitora na publicação do Jornal Primeira Página.
Outra internauta questionou a condução do processo:
“Após encher tantos corações de esperança trazem uma informação objetiva agora.
Por que essa clareza não veio no início?
Tantas famílias que precisam de um lar, quantas famílias estão anos vivendo de esperança.
Quem não precisa ganha, quantas pessoas têm casa própria e ganham, e aquelas que ganham e depois vendem, podem visitar os setores mais recentes, placa de vende-se é o que mais tem.
A certeza é para quem tem um padrinho, infelizmente é assim que funciona.”
Há também relatos que misturam fé e desgaste após longa espera. “O meu sonho está nas mãos de Deus, já entreguei para Ele. Já tem 13 anos, quase todo mês eu estava lá atualizando o cadastro. Ele sabe de tudo, amém”, comentou outra seguidora.
Em meio às críticas, alguns leitores destacaram a disparidade entre o número de inscritos e a quantidade de moradias disponíveis. “São quase 15.000 pessoas para 496 moradias, está óbvio que não é garantido”, escreveu um usuário. Outro rebateu: “Garante sim para aqueles que têm padrinho político, aqueles que já têm imóveis, enfim, garante para aqueles que não precisam. Enquanto isso, quem realmente precisa continua esperando e sendo passado para trás. São 18 anos sendo passada para trás.”
Déficit habitacional e realidade de aluguel
A repercussão ocorre em um contexto de pressão por moradia na capital. Apesar de ser a mais nova capital do país, Palmas lidera o ranking das capitais com maior percentual de moradores vivendo de aluguel. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44,9% da população da capital mora em imóveis alugados.
Em 2016, quando o levantamento passou a destacar esse indicador, o percentual era de 31%. Desde então, o índice cresceu e manteve Palmas no topo da lista nacional, evidenciando a dificuldade de acesso à casa própria.
O que diz a Prefeitura
Em nota publicada no Diário Oficial, a Prefeitura de Palmas informou que a lista divulgada refere-se exclusivamente às famílias consideradas aptas a participarem do processo de hierarquização e seleção, não configurando pré-seleção, classificação final ou garantia de contemplação com unidade habitacional.
O documento esclarece que constar na lista não gera direito adquirido nem prioridade automática e que a fase de apresentação de documentos ocorrerá apenas após a publicação da lista oficial de famílias pré-selecionadas.
As 496 unidades dos Residenciais Parque dos Ipês I, II e III estão em fase final de construção, com previsão de entrega no início do segundo semestre de 2026.
O Jornal Primeira Página solicitou novo posicionamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação sobre o cronograma das próximas etapas do processo e sobre a dimensão atual do déficit habitacional em Palmas. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
