Retrospectiva 2025 no Tocantins; os fatos que marcaram o ano

2025 foi um ano de viradas políticas, crises administrativas e decisões com impacto direto no cotidiano no Tocantins, com destaque para Palmas e para o governo estadual. De janeiro a dezembro, o estado acompanhou mudanças no comando de gestores, investigações e operações policiais, debates sobre gastos públicos, desafios na saúde e na educação, além de pautas urbanas que mobilizaram a população.

Ao longo do ano, temas como transporte coletivo, concurso da Educação, contratos emergenciais, contas públicas, e a disputa de poder entre grupos políticos dominaram parte do noticiário. Do outro lado, agendas de infraestrutura e medidas administrativas também avançaram — muitas delas cercadas de controvérsias ou sob monitoramento de órgãos de controle.

Janeiro

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Início de gestão em Palmas e primeiros embates

A gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos começou com a “Operação Palmas Cidade Limpa”, com serviços como roçagem, retirada de entulhos, poda de árvores, tapa-buracos e troca de lâmpadas na Arne 54 (408 Norte). No começo do mandato, também foram divulgados 29 nomes para o secretariado, com predominância de profissionais do direito, da comunicação e da engenharia.

Ainda no início do ano, Eduardo Siqueira Campos afirmou que assumiu a Prefeitura com uma dívida estimada em R$ 300 milhões e anunciou que não faria Carnaval em Palmas em 2025, incluindo o Capital da Fé.

“Encontramos uma dívida no valor de R$ 40 milhões em diferentes carteiras. Na dívida total, ainda há um fechamento que só conseguiremos no dia 30, mas seria algo em torno de R$ 300 milhões”, declarou Eduardo.

Nós não temos condições de fazer nenhum dos dois eventos. Acho que nenhum dos dois vai protestar diante do quadro que temos. Eu não conseguiria ordenar minha despesa nessa questão, sabendo o que está acontecendo em diversas áreas essenciais”, enfatizou Eduardo.

No mesmo período, surgiram denúncias e decisões judiciais relacionadas ao concurso da Educação de Palmas, com apontamentos sobre irregularidades e discussões sobre competência entre instâncias e responsabilidade da banca Copese/UFT e do Município.

Também em janeiro, o governador Wanderlei Barbosa determinou medidas emergenciais para a travessia gratuita entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA) após a queda da ponte Juscelino Kubitschek, com discussão sobre a contratação de barcos e apoio a Aguiarnópolis com recursos do Banco da Amazônia via Pronaf.

Fevereiro

Travessia, concurso da Educação e decisões no STJ

Em fevereiro, a travessia para veículos entre Aguiarnópolis e Estreito foi iniciada com balsa, em operação gratuita diária. Ainda no tema do concurso da Educação de Palmas, o Ministério Público Federal pediu a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar suposta fraude, após denúncias de padrões atípicos nas respostas em cargos específicos.

No campo judicial, uma liminar do Superior Tribunal de Justiça revogou a prisão preventiva do ex-governador Mauro Carlesse e do sobrinho Claudinei Quaresemin. Carlesse havia sido preso em 15 de dezembro de 2024 e era investigado por crimes como desvio de dinheiro público, fraudes em licitações e suposta articulação de plano de fuga.

Março

Carnaval do Estado e efeitos da queda da ponte JK

Em março, o Governo do Tocantins promoveu programação de Carnaval na Praça dos Girassóis, com cinco dias de atrações e shows. No mesmo período, o governo informou ações para reduzir impactos do colapso da Ponte JK, incluindo travessia gratuita e reestruturação de rotas de desvio. O aumento do fluxo de veículos passou a pressionar municípios da região, como Aguiarnópolis e cidades do entorno.

Ainda em março, Araguaína registrou repercussão em torno de colisão fatal na BR-153: Maria Alice Guimarães Silva, de 25 anos, morreu após a moto que pilotava ser atingida por uma BMW 320i Sport, avaliada em R$ 370 mil. O motorista, Vitor Gomes Alves de Paula, de 21 anos, estudante de Direito, estava preso e não possuía habilitação.

Abril

Transporte coletivo muda e concurso segue no centro das disputas

A Prefeitura de Palmas anunciou contratação emergencial da empresa Sancetur Santa Cecília Turismo Ltda. para operar o transporte coletivo por um ano, com contrato estimado em R$ 196,2 milhões e renovação de frota prevista em 154 ônibus e 10 vans zero quilômetro. A prefeitura também informou reajuste tarifário de R$ 2,00 para R$ 4,85, ainda sem data definida naquele momento.

No mês, profissionais da educação participaram de paralisação nacional em Palmas, com reivindicações como pagamento da data-base 2024 e 2025, piso nacional do magistério, convocação de aprovados e aprovação do PCCR.

No concurso da Educação municipal, o Ministério Público do Tocantins pediu nulidade parcial e reaplicação de provas para quatro cargos, citando padrão repetitivo de respostas nos gabaritos, vazamento de edital e outras irregularidades. A ação trouxe números específicos: em Professor do Ensino Fundamental I, 12 de 15 questões com a alternativa “todas as afirmativas estão corretas”; em Supervisor Pedagógico, também 12 de 15; em Orientador Educacional, 9 de 15; e em Técnico Administrativo Educacional, 10 de 15. A suspensão parcial havia sido determinada em 20 de dezembro de 2024 pelo TJTO e mantida em 7 de janeiro de 2025 pelo ministro Edson Fachin, do STF.

Após o pedido do MPTO, a Comissão dos Aprovados divulgou nota contestando a ação e afirmando confiar na lisura do certame.

Maio

Filas no transporte e operação da PF envolvendo o prefeito

Em maio, começou a instalação de máquinas para recarga do cartão do transporte coletivo em Palmas, com ampliação de pontos de venda. Com filas e transtornos na emissão de novos cartões, a Prefeitura prorrogou a gratuidade da tarifa até 25 de maio e informou que a cobrança de R$ 4,85 passaria a valer a partir de 26 de maio.

No fim do mês, a Polícia Federal cumpriu mandados contra Eduardo Siqueira Campos em investigação sobre venda de sentenças judiciais e vazamento de informações sigilosas, segundo a TV Globo, com autorização do ministro Cristiano Zanin, do STF, no contexto da Operação Sisamnes.

Junho

Energia, Congresso e prisão do prefeito de Palmas

Em junho, a Aleto aprovou projetos do Executivo relacionados à venda de ações da Energisa. Conforme apuração do Jornal Primeira Página, a participação de 23,33% na companhia gerava receita de R$ 66,9 milhões ao estado, e a participação no lucro teria sido de R$ 52,2 milhões em 2023 e R$ 66,9 milhões em 2024, alta de 28,16%.

No Congresso Nacional, a bancada federal do Tocantins teve oito dos onze integrantes votando pela derrubada de vetos presidenciais com potencial impacto de até R$ 197 bilhões nas tarifas até 2050, segundo o levantamento publicado.

No dia 27, Eduardo Siqueira Campos foi preso em nova fase da Operação Sisamnes, com mandados de prisão preventiva e busca e apreensão autorizados pelo ministro Cristiano Zanin. Também foram presos o advogado Antonio Ianowich Filho e o policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz. Após a prisão e afastamento, o vice-prefeito Carlos Eduardo Velozo assumiu a Prefeitura.

Julho

Nomeações na Educação, mudanças políticas e alerta sanitário

Em julho, a Prefeitura de Palmas nomeou 1.291 candidatos aprovados no concurso da Educação de 2024, com prazo de 30 dias para documentação e posse. Segundo o município, foram 398 de nível médio (Técnico Administrativo Educacional) e 893 de nível superior (Professor, Orientador Educacional, Supervisor Pedagógico, Analista Educacional Psicólogo e Assistente Social). A convocação ocorreu após exoneração de mais de 1,1 mil temporários, anunciada para viabilizar as nomeações.

A Aleto aprovou a ampliação da Região Metropolitana de Palmas com a inclusão de dez municípios: Chapada de Areia, Cristalândia, Divinópolis, Lagoa da Confusão, Lizarda, Mateiros, Monte Santo, Ponte Alta do Tocantins, Rio Sono e São Félix do Tocantins.

No dia 8, Eduardo Siqueira Campos sofreu infarto agudo do miocárdio, foi levado ao HGP e passou por angioplastia com stent, segundo boletim da SES-TO. Em seguida, recebeu alta e passou a cumprir prisão domiciliar, com medidas cautelares e afastamento do cargo, por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Ainda no mês, foi informado o início dos estudos para o projeto executivo da duplicação da ponte Governador José Wilson Siqueira Campos (Palmas–Luzimangues), com previsão de conclusão até o fim de 2025, orçamento inicial de R$ 98 milhões e financiamento dentro de operação autorizada para até R$ 250 milhões junto ao BRB, incluindo a TO-080 até Paraíso.

No dia 17, o STF autorizou o retorno de Eduardo Siqueira Campos ao cargo, e ele reassumiu e reintegrou parte do primeiro escalão. No fim do mês, a Secretaria Municipal de Saúde informou investigação de dois casos suspeitos de sarampo em Palmas e bloqueio vacinal, com análises pelo Lacen-TO.

Agosto

Gastos em temporada de praia, operações policiais e crise da merenda escolar

Em agosto, levantamento publicado apontou que a Temporada de Praia 2025 foi marcada por shows com cachês considerados superfaturados em diversas cidades do Tocantins, com questionamentos sobre prioridades públicas, transparência e possível uso político de eventos associados a autoridades.

No dia 22, a influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, a Karol Digital, foi presa preventivamente em Araguaína na Operação Fraus, suspeita de exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular, segundo a Polícia Civil, com mandados cumpridos também em endereços ligados a ela.

No urbanismo, a Prefeitura de Palmas apresentou e disse ter obtido aprovação popular em audiência pública para novo projeto da Avenida Tocantins, em Taquaralto, com mudanças de tráfego, rotatória de acesso à BR-010, retirada da ciclofaixa e criação de 301 vagas de estacionamento.

Na saúde, o estado confirmou 22 casos de sarampo em Campos Lindos, com 71 suspeitas notificadas e registros também em Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e outros municípios, segundo a SES-TO.

Na educação municipal, um contrato emergencial de R$ 33 milhões para merenda escolar gerou crise com produtores e agentes públicos. Em seguida, o MPTO instaurou inquérito civil para apurar suspeita de sobrepreço, com relatório do controle interno apontando indícios de valores até 449% acima do mercado, e contrato emergencial de R$ 33,6 milhões sob apuração.

Setembro

STJ afasta governador e vice assume com exonerações

Em setembro, o governador Wanderlei Barbosa foi afastado por 180 dias por decisão do STJ no âmbito da Operação Fames-19, que investiga desvio de recursos da pandemia, incluindo verbas parlamentares para cestas básicas. A Polícia Federal informou cumprimento de 51 mandados e apontou prejuízo estimado de R$ 71 milhões.

Laurez Moreira assumiu interinamente e anunciou exoneração de todo o primeiro escalão, com novas nomeações previstas.

No Legislativo federal, todos os oito deputados federais do Tocantins votaram a favor da PEC 3/21, apelidada de “PEC da blindagem”, que condiciona o processamento de parlamentares pelo STF à autorização da respectiva Casa.

Outubro

Mudança de nome de avenida, reforma administrativa e crise fiscal nos municípios

Em outubro, a Justiça aceitou denúncia do MPTO e Karol Digital, mãe e namorado passaram à condição de réus por crimes ligados à exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em Palmas, a Câmara aprovou e o prefeito sancionou a mudança do nome da Avenida Teotônio Segurado para Avenida Siqueira Campos, em homenagem ao fundador do Tocantins. Na sanção, Eduardo Siqueira Campos fez declaração durante cerimônia no aniversário do estado.

“Estamos apenas cumprindo a história. A Avenida Siqueira Campos nasce como a maior avenida dentro de um mesmo município no Brasil. Receber esse autógrafo de lei é motivo de emoção e gratidão. De onde estiver, sei que meu pai estará feliz. Nada mais emblemático do que sancionar esta lei no dia do aniversário do Estado, eternizando o nome de quem sonhou e construiu esta cidade”, afirmou Eduardo.

No mês, morreu o jornalista e empresário José Carlos Leitão, aos 76 anos, em Brasília, e a jornalista Sandra Miranda lamentou a perda e destacou a importância histórica.

Também em outubro, a Prefeitura publicou a Medida Provisória nº 10/2025 com ampla reforma administrativa, extinguindo órgãos, incorporando estruturas e criando novas pastas.

No interior, a ATM alertou para agravamento da crise fiscal municipal, com quedas de repasses do FPM de 3,86% no fim de setembro e 6,12% no início de outubro, segundo a entidade. O presidente da ATM, Big Jow, afirmou que medidas drásticas, incluindo demissões, poderiam ocorrer para manter serviços essenciais.

“Vamos ter que tomar medidas drásticas, dentre elas demissões de pais e mães de família que fazem um serviço excepcional, mas é a forma que nós temos para garantir o funcionamento dos serviços essenciais, como saúde, educação e infraestrutura”, afirmou Big.

Novembro

Dívidas, PCCR e ações policiais

Em novembro, o governo em exercício apresentou diagnóstico de dívidas em três secretarias estaduais — Saúde, Cidadania e Justiça e Infraestrutura — somando quase R$ 1 bilhão, com déficit de R$ 582 milhões na saúde e R$ 285 milhões no plano Servir, conforme informado em coletiva. A gestão disse preparar decreto emergencial para auditorias e renegociações.

A Aleto aprovou o PCCR da Educação estadual, em regime de urgência, com reformulação da progressão salarial, e debate posterior sobre extensão a orientadores e coordenadores.

O Tocantins participou da abertura da COP30 em Belém, com comitiva e defesa de compromissos da Amazônia Legal.

No dia 6, o Governo do Tocantins publicou o Decreto nº 7.039/2025, declarando estado de emergência financeira na SES-TO por até 180 dias.

Ainda em novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Nêmesis, desdobramento da Fames-19, para apurar possível obstrução das investigações. Mandados foram cumpridos em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, por determinação do STJ.

No fim do mês, o STJ substituiu a prisão preventiva de Karol Digital por prisão domiciliar, citando o Marco Legal da Primeira Infância.

Dezembro

Violência, mudanças no governo e decisões sobre funcionalismo

Em dezembro, Palmas registrou repercussão de crime no Mercatto Mall: o vigilante Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, foi baleado e morreu após discussão no estacionamento. A Polícia Civil passou a procurar Waldecir José de Lima Júnior, apontado como autor dos disparos.

Também no mês, morreu o ex-senador José Bonifácio Gomes de Souza, aos 74 anos, após internação em Araguaína em decorrência de acidente de trânsito em Tocantinópolis.

No dia 6, Wanderlei Barbosa reassumiu o governo e exonerou os nomeados por Laurez Moreira durante o afastamento, com reorganização do primeiro escalão.

No dia 15, o governador anunciou pagamento do PCCR da Educação com retroativo a 1º de outubro e a concessão de mais de 1,3 mil progressões, com encaminhamento de projeto à Aleto.

No dia 17, a Aleto aprovou por unanimidade a PEC do teto único, criando limite salarial de R$ 41.845,49 para o funcionalismo estadual, equiparando o teto do Executivo ao subsídio de desembargadores do TJTO, com vigência integral em 1º de abril de 2026 e impacto para mais de 2 mil servidores.

Ao longo de 2025, todos esses episódios foram acompanhados e noticiados pelo Jornal Primeira Página, com registros mês a mês dos principais fatos que impactaram o Tocantins — da política à saúde, da educação à infraestrutura, das decisões administrativas às investigações e casos de grande repercussão. A retrospectiva reúne, em um só panorama, as informações publicadas pelo jornal durante o ano e reflete o compromisso da cobertura em manter o público informado com base em dados e comunicados oficiais.

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