Polícia Civil cumpre quatro prisões contra integrantes do Comando Vermelho em Palmas
A Polícia Civil do Tocantins cumpriu quatro mandados de prisão nesta segunda-feira (9) durante a 6ª fase da Operação Gotham City, que investiga integrantes da facção criminosa Comando Vermelho envolvidos em uma série de assassinatos registrados em Palmas no primeiro semestre de 2023.
Nesta etapa da operação, foram expedidos mandados contra executores e membros da cúpula da organização criminosa. Entre os alvos estão lideranças conhecidas pelos apelidos “Luxúria” (ou LX) e “Galo Cego”. Este último foi capturado no início de fevereiro de 2026 no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro.
Na ação desta segunda-feira, um dos executores que estava na motocicleta utilizada em um dos crimes foi preso no setor Jardim Aureny III, em Palmas. O g1 informou que não conseguiu contato com a defesa dos investigados.
As investigações são conduzidas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e apuram, entre outros casos, as mortes de Pedro Duarte e Silva e Kauã Vinícius Lobo Rodrigues. Os dois foram assassinados em 4 de maio de 2023 no setor Aureny II.
Segundo a polícia, as vítimas estavam dentro de um carro estacionado em um terreno baldio quando foram alvo de uma emboscada realizada por dois homens em uma motocicleta. De acordo com as investigações, o ataque teria sido ordenado pela cúpula da facção.
A polícia aponta que a liderança do grupo seria composta por Luxúria, Galo Cego, Beira Lago e Carlos Augusto da Silva Fraga, conhecido como Dad Charada, apontado nas investigações como mandante de cerca de 50 mortes.
Conforme apurado, o alvo principal da emboscada seria Kauã Vinícius, suspeito de integrar uma facção rival. Pedro Duarte teria sido morto por estar no local no momento do ataque.
Onda de homicídios em 2023
Em 2023, Palmas registrou mais de 100 homicídios apenas no primeiro semestre, segundo dados das investigações policiais. As autoridades relacionaram a maior parte dos crimes à disputa entre facções criminosas.
Durante esse período, Carlos Augusto da Silva Fraga, o Dad Charada, foi preso e apontado como um dos responsáveis pela sequência de assassinatos. Pouco tempo depois da prisão, ele foi encontrado morto em um presídio em Araguaína.
Já em fevereiro de 2026, José Matheus Silveira Carneiro, conhecido como Galo Cego, foi preso no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, ele também é investigado por participação na onda de violência registrada em Palmas.
Mensagens e áudios interceptados
Durante a investigação, a Polícia Civil teve acesso a conversas em grupos de WhatsApp atribuídos aos investigados. Segundo a polícia, nas mensagens os integrantes da organização planejavam ataques e comentavam execuções.
Em uma das conversas, Galo Cego teria sugerido que a motocicleta vermelha utilizada nos crimes fosse temporariamente “aposentada” por já estar “pixada”, ou seja, visada pelas forças de segurança.
Os investigadores também identificaram áudios de reuniões da cúpula da facção com discussões sobre estratégias na disputa contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontado como grupo rival.
Nos diálogos, segundo a polícia, os investigados tratam de temas como aquisição de fuzis, compra de drogas na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, articulação com criminosos do Morro da Rocinha, no Rio de Janeiro, e execuções relacionadas a dívidas do tráfico.
