Como o Nujor fortalece a formação crítica e prática de futuros jornalistas no Tocantins

Criado para ir além das atividades previstas na matriz curricular do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), o Núcleo de Pesquisa, Extensão e Práticas Jornalísticas (Nujor) tem se consolidado como um espaço de formação complementar para estudantes e professores. A proposta do núcleo é integrar ensino, pesquisa, extensão e prática profissional, oferecendo experiências que ampliam a autonomia, o olhar crítico e a maturidade dos alunos na produção jornalística.

Em entrevista ao Jornal Primeira Página, a coordenadora do Nujor, a professora doutora Marluce Zacariotti, explicou que o núcleo surgiu da necessidade de criar um ambiente mais flexível para o desenvolvimento de projetos que não cabem, muitas vezes, no tempo e nos limites das disciplinas regulares.

“O Nujor é um núcleo de ensino, pesquisa, extensão e práticas jornalísticas. Nosso objetivo é desenvolver pesquisas e projetos que vão além do que conseguimos trabalhar na rotina do curso, justamente porque a matriz curricular tem limites de tempo e de carga horária”, afirmou.

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Segundo a professora, o espaço também favorece o intercâmbio acadêmico, reunindo estudantes e pesquisadores de diferentes instituições.
“A gente entende que essa troca com outras universidades é fundamental, porque amplia saberes, experiências e formas de pensar o jornalismo”, disse.

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O funcionamento do Nujor é baseado em projetos desenvolvidos a cada semestre, alguns deles permanentes. Entre os principais está a revista Pegadas, uma agência de comunicação e jornalismo vinculada ao núcleo e institucionalizada como projeto de extensão. A publicação reúne reportagens, entrevistas e análises produzidas pelos estudantes, com foco em temas de interesse público e social que, em geral, não recebem espaço na mídia tradicional.

Produção independente e temas pouco explorados

De acordo com Marluce Zacariotti, a escolha das pautas da revista segue um princípio central: evitar a simples reprodução do que já é abordado pelos grandes veículos.

“A ideia é justamente oferecer aos alunos a oportunidade de produzir conteúdos de forma independente, com textos mais abertos e pautas que a mídia tradicional, muitas vezes, não absorve”, explicou.

Ela citou como exemplo um dossiê recente sobre meio ambiente, que partiu das discussões da COP30 para tratar de questões regionais.
“Nosso objetivo não era falar da COP30 em si, mas usar esse debate para regionalizar as discussões, pensando no Cerrado e na nossa posição próxima à Amazônia Legal”, afirmou.

Para a coordenadora, esse modelo de produção contribui diretamente para o amadurecimento profissional dos alunos.
“A gente procura instigar essa independência desde a pauta. O estudante participa de todo o processo, aprende a pensar criticamente, a escolher fontes, a levantar dados e a tratar essas informações com responsabilidade ética”, destacou.

Desenvolvimento profissional e trajetórias acadêmicas

A professora observa que a experiência no Nujor e na revista Pegadas tem impacto direto na trajetória dos estudantes.
“Muitos alunos que passaram pelo Nujor passaram a se interessar por temas mais aprofundados e acabaram seguindo para o mestrado ou para áreas específicas do jornalismo especializado”, relatou.

Ela também citou parcerias externas desenvolvidas pelo núcleo, como projetos realizados em conjunto com o Naturatins, a exemplo do Seminário de Biodiversidade do Tocantins.

“Nesses projetos, a gente percebe claramente o ganho de maturidade dos alunos, principalmente no contato com pesquisadores e temas mais complexos”, disse.

Acesso e participação no Nujor

Segundo Marluce Zacariotti, o ingresso no Nujor ocorre, em geral, por meio de editais semestrais ou do estágio supervisionado. Para atuar diretamente na revista Pegadas, é exigido que o estudante esteja a partir do quinto período do curso.

“A gente precisa ter esse cuidado com a supervisão. Por isso, nem sempre conseguimos abrir edital todos os semestres, mas buscamos manter um acompanhamento próximo dos alunos”, explicou.

Ela destacou ainda que projetos específicos permitem a participação de estudantes de outros cursos e instituições, ampliando o caráter interdisciplinar do núcleo.

“O jornalismo é uma atividade coletiva, e essa convivência com outras áreas e com a comunidade é essencial para a formação”, afirmou.

Para a coordenadora, o principal desafio atual é ampliar a circulação das produções acadêmicas para além da universidade.“A gente produz muita coisa de qualidade dentro do curso, mas ainda precisamos fazer com que esses materiais cheguem mais ao público externo. Esse é o grande sentido da extensão”, concluiu.

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