Clássico do cinema brasileiro, “Xica da Silva” volta às telonas em versão restaurada
Cinquenta anos após marcar a história do cinema brasileiro, “Xica da Silva” voltará às telonas em uma versão restaurada em 4K. O relançamento do longa, dirigido por Cacá Diegues e protagonizado por Zezé Motta, está previsto para o dia 16 de julho, exclusivamente nos cinemas. A iniciativa celebra o cinquentenário de uma das produções mais emblemáticas do audiovisual nacional, reconhecida por colocar uma mulher negra no centro da narrativa e por reunir milhões de espectadores desde sua estreia, em 1976.
A restauração foi realizada pela Sessão Vitrine Petrobras e busca preservar a qualidade visual da obra, com imagens em alta definição e maior riqueza de detalhes. Antes da estreia nacional, a nova cópia foi apresentada durante a 21ª edição do Festival de Cinema de Ouro Preto (CineOP), realizada no fim de junho.
Baseado na personagem histórica Chica da Silva, o filme retrata a trajetória de uma mulher negra escravizada que conquista a liberdade e passa a ocupar uma posição de destaque no Distrito Diamantino, em Minas Gerais, após iniciar um relacionamento com João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa e administrador da exploração de diamantes na região.
Ao longo da narrativa, a ascensão da protagonista desperta a reação da elite local e das autoridades portuguesas, que tentam conter sua influência. Com humor, música, crítica social e elementos do erotismo, o longa transformou a personagem em um símbolo de resistência e questionou padrões sociais e raciais em plena década de 1970, período marcado pela ditadura militar no Brasil.
Inspirado no livro Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio, de João Felício dos Santos, o roteiro foi assinado por Cacá Diegues em parceria com o escritor Antonio Callado e o próprio autor da obra literária.
Na época do lançamento, “Xica da Silva” levou cerca de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas, tornando-se um dos maiores sucessos do cinema nacional. O filme também conquistou importantes premiações, incluindo os troféus de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz no Festival de Brasília.
A produção consolidou a carreira de Zezé Motta, que recebeu reconhecimento da crítica e conquistou prêmios como o Air France, Coruja de Ouro e o Prêmio Governador do Estado por sua interpretação da protagonista. Cinco décadas depois, a atriz segue sendo uma das principais referências da dramaturgia brasileira e da representatividade negra no país.
Além de Zezé Motta e Walmor Chagas, o elenco reúne nomes como José Wilker, Elke Maravilha, Stepan Nercessian, Rodolfo Arena, Marcus Vinícius, Julio Mackenzie, Dara Kocy, Adalberto Silva, Altair Lima, Beto Leão e Baby Conceição.
Segundo Silvia Cruz, idealizadora do projeto de restauração e sócia da Vitrine Filmes, recuperar o longa representa preservar uma obra que ajudou a transformar a representação da cultura negra no cinema brasileiro e permanece atual mesmo cinco décadas após sua estreia.
