SINOPSE — “Hamnet” e a arte que nasce do indizível
Como alguém que acompanha o cinema a muito tempo, confesso, “Hamnet: a vida antes de Hamlet” me pegou de um jeito raro. Não pelo impacto fácil, mas pela inteligência emocional e formal com que Chloé Zhao escolhe filmar o depois. O longa poderia tropeçar no melodrama ilustrado da perda de um filho, mas prefere, com coragem, observar como o luto reorganiza o mundo, os gestos, o casamento e a própria linguagem. Aqui, a dor não vira discurso, ela causa movimento.
Zhao constrói uma narrativa que não se ancora no choque da morte, mas na insistência da vida quando algo tão essencial se vai. É um…
