Caso Gustavo; Justiça determinava visitas ao pai mesmo após medida protetiva; veja tudo o que se sabe

A morte do menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, encontrada na manhã de segunda-feira (3), em uma casa na região norte de Palmas, mobiliza a Polícia Civil e ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (5). A defesa da mãe da criança pediu que a polícia represente pela prisão preventiva do pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, apontado como principal suspeito nas investigações.

O inquérito, conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), tramita sob sigilo. A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais que deverão esclarecer as circunstâncias da morte.

Segundo a defesa de Igor Gustavo, o advogado retirou o filho da piscina, prestou os primeiros socorros e a criança voltou a reagir após expelir a água ingerida.

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A defesa afirma que, diante da melhora aparente, ele deu banho no menino e o colocou para descansar. Algum tempo depois, percebeu que a criança não respondia e já não apresentava sinais vitais.

Ainda conforme os advogados, Igor deixou a residência em estado de abalo emocional, mas posteriormente compareceu espontaneamente à Central de Atendimento da Polícia Civil, comunicou o ocorrido, prestou depoimento e entregou as chaves da casa para a realização da perícia.

Após ser ouvido, ele foi liberado e permanece à disposição das investigações.

Laudo preliminar descarta afogamento

As investigações começaram após o pai procurar a Polícia Civil informando que o filho teria sofrido um afogamento na piscina da residência.

No entanto, o exame preliminar realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) apresentou outra conclusão. Segundo o diretor do IML de Palmas, Eduardo Godinho, a causa aparente da morte foi uma laceração intestinal, que provocou hemorragia interna e externa.

O médico legista afirmou ainda que o corpo apresentava diversos sinais de violência.

“No exame preliminar, a causa da morte, aparentemente, foi por laceração intestinal e sangue. Ele teve hemorragia interna e externa, o que levou à causa da morte.”

Godinho também declarou que não foram encontrados indícios de afogamento.

“Até agora, pelo laudo, pelo primeiro exame, não tem indício nenhum de afogamento. Ali foi realmente outro tipo de trauma que levou à causa morte.”

Segundo o legista, trata-se de um caso incomum.

“Na verdade, eu nunca, nesses 18 anos de legista, tinha visto um caso como esse aqui no nosso estado.”

Gustavo recusava ir visitar o pai

Outro elemento que passou a integrar o caso é um vídeo gravado no fim de semana anterior à morte.

Nas imagens, Gustavo aparece chorando e dizendo que não queria ir para a casa do pai.

O conteúdo foi divulgado após a instauração do inquérito, mas ainda não há manifestação oficial da Polícia Civil sobre a influência do vídeo na investigação.

Defesa da mãe pede prisão preventiva

Nesta quarta-feira (5), a defesa de Sabrina Feitosa, mãe da criança, informou que acompanha diariamente o andamento das investigações e pediu que a Polícia Civil represente pela prisão preventiva do pai.

Segundo a advogada Stella Bueno, a medida é necessária diante da gravidade do caso.

Em nota, a defesa afirmou que acompanha de perto as diligências, mantendo contato com as autoridades responsáveis, e espera que os fatos sejam completamente esclarecidos.

A Polícia Civil, entretanto, ainda não informou se pretende solicitar a prisão preventiva nem se houve representação nesse sentido.

Convivência era determinada pela Justiça

A defesa da mãe também esclareceu que a convivência entre Gustavo e o pai não era fruto de decisão exclusiva da família, mas cumpria determinação judicial.

Segundo a advogada, o regime de visitas havia sido regulamentado pela Justiça, e eventual descumprimento poderia caracterizar alienação parental e até resultar na perda da guarda da criança.

Histórico de denúncias

A defesa informou ainda que Sabrina já havia denunciado Igor Gustavo em 2023 por ameaças durante uma discussão envolvendo a convivência com o filho, que ainda era bebê.

Na ocasião, segundo os relatos, o pai queria levar a criança para dormir em sua residência, mas a mãe recusou porque o menino ainda era amamentado.

Após o episódio, Sabrina afirmou ter recebido mensagens com ameaças de morte atribuídas ao ex-companheiro e registrou boletim de ocorrência.

Ela também informou à polícia que o portão de sua residência foi destruído durante a madrugada, fato que atribuiu ao advogado.

Com base nesses relatos, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência, determinando que Igor mantivesse distância mínima de 200 metros da ex-companheira e proibindo qualquer contato direto. As comunicações relacionadas ao filho deveriam ocorrer exclusivamente por intermédio de terceiros.

Na época, Igor Gustavo ocupava a presidência do Tribunal de Ética da OAB Tocantins. A Ordem informou que acompanharia a apuração dos fatos.

Investigação continua

Embora a defesa da mãe mencione um histórico de violência doméstica e levante a hipótese de violência vicária, essa linha ainda não integra oficialmente as conclusões da investigação.

Até o momento, a Polícia Civil trata o caso como morte suspeita e aguarda a conclusão dos exames periciais para definir a causa da morte e eventual responsabilização criminal.

A defesa de Sabrina afirmou que todos os esforços estão concentrados no acompanhamento da investigação, na busca por justiça e no acolhimento da família.

Em nota, a advogada Stella Bueno pediu respeito à dor da mãe e cautela na divulgação de informações.

“Gustavo tinha apenas 3 anos. Sua morte exige respostas, responsabilidade e justiça.”

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