Pai de Gustavo Veloso foi afastado da presidência do Tribunal de Ética da OAB-TO após denúncia de ameaças contra a mãe da criança

A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, continua reunindo novos elementos. Enquanto a Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte, um episódio ocorrido em 2023 voltou ao centro das discussões. Naquele ano, o pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, foi afastado da presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO), após ser denunciado pela então companheira por ameaças de morte.

O caso ganhou repercussão após a defesa da mãe de Gustavo informar que a convivência entre pai e filho era regulamentada pela Justiça e lembrar que, antes da morte da criança, já existia um histórico de conflitos entre o ex-casal.

Em junho de 2023, a OAB Tocantins anunciou o afastamento de Igor Gustavo da presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. A decisão foi tomada depois que ele foi denunciado pela então companheira, Sabrina Feitosa, por supostas ameaças de morte.

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Na ocasião, a Ordem informou que o advogado seria substituído por Anderson Mendes de Souza e afirmou, em nota, que reafirmava seu compromisso com o combate à violência contra a mulher.

Segundo a OAB, a instituição acompanharia o andamento das investigações.

Ameaças teriam ocorrido durante discussão sobre o filho

De acordo com os boletins de ocorrência registrados em 2023, o conflito começou após uma discussão envolvendo a convivência com o filho do casal, que na época tinha apenas oito meses.

Conforme o relato da mãe, Igor Gustavo queria levar o bebê para dormir em sua residência, mas ela recusou porque a criança ainda estava em fase de amamentação.

Após a discussão, Sabrina afirmou ter recebido mensagens e áudios com ameaças e ofensas atribuídas ao advogado.

Em um dos áudios apresentados à polícia, o advogado teria dito:

“Sua sorte é que você estava com o menino no colo e tinha muita gente passando na rua. Não vai ter próxima, mas se tiver você não escapa porque eu te meto uma bala na cara.”

Medida protetiva foi concedida 

Além das supostas ameaças, Sabrina registrou um segundo boletim de ocorrência após o portão de sua residência ser destruído durante a madrugada. Ela afirmou à polícia que o ex-companheiro seria o responsável pelo dano.

Com base nos relatos, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência.

A decisão determinou que Igor Gustavo mantivesse distância mínima de 200 metros da ex-companheira e proibiu qualquer contato por telefone, mensagens ou outros meios de comunicação. O descumprimento da medida poderia resultar em prisão.

Defesa contestou afastamento

Na época, Igor Gustavo afirmou que o afastamento deveria ter sido decidido pelo Conselho da OAB e não pela presidência da instituição.

Em nota, declarou que não buscaria retornar ao cargo, apesar de considerar a medida ilegal.

O advogado também afirmou que deixava a função “de cabeça erguida” e disse que sempre atuou na defesa da advocacia.

Caso voltou à tona após morte de Gustavo

O histórico voltou a ser citado após a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, encontrada na segunda-feira (3), em Palmas.

A defesa da mãe informou que o regime de convivência entre pai e filho havia sido regulamentado judicialmente e que eventual descumprimento poderia caracterizar alienação parental e até resultar na reversão da guarda da criança.

A advogada Stella Bueno também afirmou que acompanha o andamento das investigações e pediu que a Polícia Civil represente pela prisão preventiva do pai, investigado no caso.

Investigação segue sob sigilo

Igor Gustavo é investigado pela Polícia Civil depois de procurar espontaneamente a delegacia informando que o filho teria sofrido um afogamento na piscina da residência.

Entretanto, o exame preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontou que não havia sinais de afogamento e indicou, como causa aparente da morte, uma laceração intestinal com hemorragia interna e externa. O diretor do IML também informou que o corpo da criança apresentava sinais de violência.

O inquérito é conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), tramita sob sigilo e aguarda a conclusão dos laudos periciais. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou pedido de prisão preventiva nem apresentou conclusão sobre a responsabilidade criminal pela morte da criança.

O Jornal Primeira Página entrou em contato com a defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e aguarda um posicionamento.

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