Burnout tem alta de quase 500% e amplia impacto no trabalho e na Previdência
Os afastamentos por transtornos mentais no Brasil cresceram de forma acentuada na última década, com mudança no perfil das doenças. Em 2016, a depressão liderava as licenças do trabalho, com 75,3 mil afastamentos. Em 2026, o burnout passou a ganhar protagonismo, com aumento de quase 500% nos auxílios-doença concedidos por esgotamento profissional entre 2021 e 2024, segundo dados da Previdência Social.
Somente no primeiro semestre de 2025, os registros por burnout já somavam mais de 70% de todo o volume do ano anterior, pressionando o orçamento do INSS e ampliando os impactos sociais e econômicos.
De 2016 a 2026: mudança no perfil do adoecimento
Em 2016, os transtornos mentais e comportamentais motivaram cerca de 199 mil afastamentos, sendo a depressão responsável por 37,8% das licenças. Entre 2009 e 2015, quase 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez por essas doenças.
Uma década depois, o cenário se agravou. Em 2024, mais de 472 mil afastamentos foram concedidos por problemas de saúde mental, tendência que seguiu em alta em 2025, impulsionada por jornadas extensas, hiperconexão, home office e precarização do trabalho.
Custos crescentes e respostas regulatórias
As despesas da Previdência com auxílios-doença subiram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024. Especialistas apontam que afastamentos por transtornos mentais tendem a ser mais longos, o que amplia o impacto financeiro.
Diante do avanço, o governo reforçou em 2023 o reconhecimento do burnout como doença ocupacional e passou a exigir o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. A fiscalização está prevista para começar em 2026, após adiamento das penalidades.
Ambiente de trabalho sob pressão
Especialistas defendem que o adoecimento mental está ligado a fatores estruturais do mercado de trabalho, e não a fragilidades individuais.
“O termo estresse vem da física. Se passar mais peso do que o previsto, a estrutura rompe. Com o ser humano é a mesma coisa”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.
