SINOPSE — “Virtuosas” nos assusta pelo fato de não ser uma alegoria distópica, é algo que já está acontecendo

Em “Virtuosas”, primeiro longa-metragem de Cíntia Domit Bittar, que também assina roteiro, direção e montagem, acompanhamos um grupo de mulheres reunidas em um luxuoso retiro comandado por Virgínia (Bruna Linzmeyer), uma espécie de guru da feminilidade ultraconservadora. A promessa é tentadora: encontrar uma versão melhor de si mesma, aprender a ser uma mulher virtuosa, esposa dedicada, mãe exemplar. Só que, nesse contexto, melhorar a si própria parece significar cada vez mais abrir mão de quem se é. Bittar filma esse processo com extrema precisão e a mise en scène é profundamente…

SINOPSE — Homem-Aranha: Um Novo Dia devolve Peter Parker ao centro da própria história

Vou ser direta com vocês, “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, para mim, não é apenas o melhor filme solo de Tom Holland como Peter Parker, mas é também a versão do Homem-Aranha que mais gostei de assistir desde a era de Tobey Maguire. O curioso é que o caminho para chegar até aqui passa justamente por uma decisão bastante simples da direção, finalmente deixar Peter Parker ser Peter Parker. Um jovem tentando equilibrar a vida comum com seu alter ego, pagando o preço de suas escolhas e percebendo que crescer também significa carregar perdas. Nos filmes anteriores do MCU, De Volta ao Lar, Longe de…

SINOPSE — O Convite: quando o constrangimento senta à mesa

Desde os primeiros minutos, Olivia Wilde nos coloca diante de algo deliciosamente desconfortável. Em “O Convite” assistimos um casamento falido, onde ambos estão completamente ressentidos e o resultado é uma comédia dramática inteligente, sustentada por quatro atores incríveis e por uma direção que entende muito bem como transformar um apartamento em extensão emocional de seus habitantes. É, certamente, o trabalho mais seguro de Wilde como diretora (“Fora de Série” e “Não Se Preocupe Querida”), ainda que o filme encontre uma certa dificuldade em transformar toda a tensão acumulada em uma…

SINOPSE — “Dia D” – impressiona pela direção e decepciona pela narrativa

Em seu mais recente projeto, Steven Spielberg retorna ao território que ajudou a redefinir dentro da ficção científica, mas não para repetir os próprios sucessos, como em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” e “E.T.: O Extraterrestre”. Em “Dia D” ele usa extraterrestres apenas como ponto de partida. No filme, Daniel Kellner (Josh O'Connor), funcionário de uma agência de inteligência, decide divulgar documentos que comprovariam décadas de contato entre governos e vida extraterrestre. Enquanto foge de uma corporação determinada a impedir que a verdade venha à tona, seus caminhos se cruzam com…

SINOPSE — The Drama: uma anti-história de amor

“The drama”, novo longa de Kristoffer Borgli, é um desses filmes que te obriga a reorganizar completamente a forma como enxergamos os personagens a partir de uma descoberta. Transformando uma relação aparentemente comum em um campo de batalha moral onde ninguém sai completamente ileso, o diretor conduz uma investigação sobre identidade, pautada na problemática da moralidade de seus personagens. Algo que é bastante pertinente à realidade norte-americana. Essa não é uma história de amor, é uma  obra que questiona a idealização romântica e expõe fragilidades que costumam ser ignoradas. Charlie…

SINOPSE — Backrooms: Um Não-Lugar – Perdido entre corredores e explicações

Há algo profundamente perturbador em um corredor vazio, não um corredor escuro  tomado por sombras ou povoado por monstros, mas um corredor iluminado, amarelo, silencioso, algo profundamente familiar. Um espaço que parece existir fora da lógica do mundo e que desperta uma sensação difícil de explicar, como se estivéssemos diante de uma lembrança que nunca vivemos. Foi essa inquietação que transformou Backrooms em um fenômeno da internet. Uma creepypasta que cresceu, ganhou novas camadas, comunidades inteiras dedicadas a expandir sua mitologia e, principalmente, conquistou milhares de pessoas.…

SINOPSE — “Devoradores de estrelas”: quando a ficção científica lembra que mesmo diante do vazio absoluto, tudo muda…

“Devoradores de estrelas” é um daqueles filmes que não tem vergonha de acreditar na humanidade. Em uma era dominada por narrativas cínicas, heróis traumatizados e apocalipses que parecem competir entre si para descobrir qual é o mais sombrio, essa obra surge como algo raro de se ver, uma superprodução espacial que escolhe a esperança sem abrir mão do drama. Primeiro grande blockbuster de 2026, o longa dirigido por Phil Lord e Christopher Miller (dupla responsável por “Anjos da lei”, “Uma aventura Lego” e os roteiros da franquia “Homem-aranha no Aranhaverso”) encontra um equilíbrio…

SINOPSE — O Diabo Veste Prada 2 e a estética da sobrevivência midiática

“O diabo veste Prada” encontrou um espelho no tempo e envelheceu bem demais. Sua sequencia chega aos cinema exatamente vinte anos depois do original, sem tentar reinventar o que já era sólido, mas observando o quanto o mundo mudou e se reorganizou. O segundo filme da pequena franquia não se apoia na nostalgia como muleta, mas a usa como ferramenta de contraste. O que antes era glamour editorial agora precisa disputar atenção com métricas, cortes orçamentários e uma lógica de visibilidade que transforma tudo em produto descartável. A Runway continua ali, mas menos como império e mais como…

SINOPSE — Entre o amor e o colapso: a representação da maternidade no cinema

A maternidade retratada no cinema sempre foi menos sobre mulheres reais e mais sobre expectativas, sociais, morais e, sobretudo, narrativas. Durante décadas, a mãe ocupou um lugar quase sagrado nas telas, sendo representada como uma figura de abnegação absoluta, emocionalmente inesgotável, cuja existência orbitava o cuidado, a idealização do sacrifício. Era a extensão do arquétipo da “boa mãe”, moldado por valores patriarcais e reforçado por uma indústria que, ironicamente, preferia conforto à complexidade do maternar. Nos primórdios do cinema clássico hollywoodiano, a maternidade era…

SINOPSE — “Sirat”: beleza, caos e um caminho sem volta

“Sirat”, novo trabalho de Óliver Laxe em parceria com Santiago Fillol, definitivamente não é uma experiência confortável e, em momento nenhum, se propõe a ser. Confesso que levei tempo para digerir o que vi. É um filme que começa como uma rave no meio do nada e, aos poucos, revela-se como algo muito maior, uma dança febril à beira do abismo, um ritual coletivo que oscila entre o êxtase e o colapso. Fui atravessada por sensações contraditórias, hora fascínio, hora incômodo e estranhamento. Algumas escolhas narrativas da direção me pareceram, à primeira vista, deliberadamente forçadas, quase…

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Leia mais