SINOPSE — “Homem com H”: a resistência pela voz de Ney Matogrosso

Você não somente assiste “Homem com H”, você o sente. A jornada de Ney Matogrosso encanta, mas o filme não é só sobre isso, é sobre tudo aquilo que nos empurra para fora da caixa e nos chama à uma existência mais livre. Dirigido e roteirizado por Esmir Filho, a biopic conta a trajetória de um dos maiores nomes da música nacional e faz isso com uma entrega estética e emocional que raramente se vê em cinebiografias. Em meio a tantas produções engessadas que tentam apenas prestar uma reverência sem alma, “Homem com H” se destaca como uma obra viva, pulsante, rebelde – à altura de seu

SINOPSE — “Pecadores” a música, o sangue e a ancestralidade

Tem filme que te surpreende, tem filme que te arrebata, e tem aqueles filmes que, de forma quase mística, te atravessa. “Pecadores”, novo longa de Ryan Coogler, pertence a essa última categoria. Após anos imerso nas engrenagens das franquias, o diretor de “Pantera Negra” e “Creed” finalmente nos entrega um projeto íntimo, que revisita suas raízes familiares no Mississippi, e o resultado é uma obra potente, provocadora e ritmada como um bom e velho blues. O filme, ambientado em 1932, nos leva à fictícia Clarksville, uma cidade sulista tomada pelo calor, pelo suor, pelos fantasmas da

SINOPSE – “O Brutalista”, de Brady Corbet, soterra a dimensão humana sob as camadas de uma grandiosidade estéril

Brady Corbet é um cineasta que não se contenta com o básico. Em “O Brutalista”, ele ergue uma obra ambiciosa, esteticamente irretocável, conceitualmente robusta, mas narrativamente defeituosa. O longa é uma ode ao que há de mais admirável e também mais frustrante no cinema autoral contemporâneo: o desejo de traduzir grandes ideias em linguagem visual. O filme parte de um conceito interessante: usar o brutalismo — estilo arquitetônico marcado por concreto aparente, geometria severa e funcionalidade radical — como metáfora para a condição humana. E não apenas como alegoria rasa, mas como

SINOPSE – “Vitória”: quando a imagem se torna a força da justiça

SINOPSE é uma coluna do Jornal Primeira Página assinada por Carolinne Macedo. Tudo sobre os principais lançamentos cinematográficos do mês e um mergulho na sétima arte! Fernanda Montenegro é um monumento do cinema brasileiro, e Andrucha Waddington sabe disso. Em “Vitória”, o diretor trata a atriz como uma entidade cinematográfica, transformando cada enquadramento em um estudo de sua expressão e presença. O longa, que inicialmente estava nas mãos de Breno Silveira antes de sua morte, carrega essa mudança em sua essência. O que poderia ser um thriller político denso e tenso se molda, na

SINOPSE – “Mickey 17”: A ousada e ambiciosa critica sociopolítica de Bong Joon Ho

SINOPSE é a coluna do Jornal Primeira Página assinada por Carolinne Macedo. Tudo sobre os principais lançamentos cinematográficos do mês e um mergulho na sétima arte! Bong Joon Ho nunca foi um cineasta muito sutil em suas críticas ao capitalismo e à hipocrisia que o sustenta. Desde o lançamento de “Expresso do Amanhã” até o triunfo de “Parasita”, sua câmera sempre apontou para as injustiças estruturais do mundo moderno, escancarando a brutalidade com doses generosas de humor ácido e ironia. Com “Mickey 17”, seu novo filme, ele reafirma sua posição, agora em um cenário intergaláctico, onde

SINOPSE – “Wicked”: A grata surpresa que encanta além das expectativas

SINOPSE é a coluna do Jornal Primeira Página assinada por Carolinne Macedo. Tudo sobre os principais lançamentos cinematográficos do mês e um mergulho na sétima arte! Assistir a “Wicked” foi como embarcar em um balão mágico rumo a um espetáculo grandioso. Eu já sabia que encontraria uma superprodução repleta de figurinos deslumbrantes, coreografias bem ensaiadas e vozes impecáveis, mas o que me impactou mesmo foi a carga emocional e a relevância do enredo. Não seria exagero dizer que o filme me foi uma grata surpresa. Muito além de um musical visualmente encantador, “Wicked” se revela uma

“Duna: Parte Dois” – Um espetáculo de areia, sussurros e vazio emocional

SINOPSE é a coluna do Jornal Primeira Página assinada por Carolinne Macedo. Tudo sobre os principais lançamentos cinematográficos do mês e um mergulho na sétima arte! Que Denis Villeneuve não brinca em serviço, disso já sabíamos. Mas o retorno do diretor ao universo de Duna é uma experiência visual ainda mais apoteótica, um espetáculo cinematográfico que abraça a grandiosidade sem hesitar. “Duna: Parte Dois” é uma imersão em um mundo vasto e opressor, onde cada grão de areia parece meticulosamente posicionado para reforçar o épico. Mas, como na primeira parte, a beleza das imagens se

“Nickel Boys”:  o horror invisível de uma América ferida

RaMell Ross retorna às telas com um projeto ambicioso, mergulhando fundo nas raízes de sua filmografia com “Nickel Boys”. O filme que marca a estreia do diretor em longa-metragens é uma adaptação cinematográfica do livro de mesmo título vencedor do prêmio Pulitizer. Ross que já demonstrou maestria ao abordar a experiência negra americana em seus documentários, entrega aqui um filme de impacto inegável. A adaptação do premiado romance de Colson Whitehead se traduz em um drama de denúncia social que, além de contar uma história poderosa, reflete sobre o próprio ato de narrar traumas históricos.

“Emilia Pérez”: quando a ousadia se transforma em desastre

O ano de 2024 não tem sido generoso com os musicais. O gênero, que já reinou absoluto como um dos pilares da sétima arte, hoje luta para se manter respirando em meio a produções que o tratam como um mero adorno. Números grandiosos de canto e dança vêm sendo reduzidos a meros artifícios narrativos, e a ousadia de abraçar a forma musical parece cada vez mais rara. Mas eis que surge “Emilia Pérez”, o novo filme de Jacques Audiard, com a proposta de trazer um sopro de novidade ao gênero. Mas será que inova mesmo? Pessoalmente, vejo o filme como uma experiência, no mínimo, desconcertante e a

O conto de fadas moderno que é “Anora” e a habilidade de Sean Baker em revelar o que está sob a superfície

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2024, e indicado ao Oscar de Melhor filme desse ano, “Anora”, o mais recente trabalho de Sean Baker, é um conto de fadas moderno, uma Cinderela contemporânea, com toques ácidos e um humor certeiro. A história acompanha Ani (Mikey Madison, num desempenho impecável), uma stripper e prostituta em Brighton Beach, Nova York, que se vê em um improvável romance com Ivan (Mark Eidelshteyn), herdeiro de um oligarca russo. Essa narrativa poderia facilmente cair no clichê, mas Baker, como já nos acostumou, subverte expectativas com maestria, construindo as situações e

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