SINOPSE — “Foi apenas um acidente” expõe o limite entre justiça e vingança

Há filmes que se anunciam como ficção, mas carregam em cada plano uma energia inquieta, prestes a romper a tela e invadir nosso universo. “Foi Apenas um Acidente” (2025), de Jafar Panahi, é exatamente assim, não por flertar com o autobiográfico, mas por compartilhar o mesmo ímpeto moral. Há a vontade explícita de contar uma história em todas as suas possibilidades, com trama e drama intensificados, sem as limitações impostas pelas sanções do Estado iraniano. Filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2025, “Foi Apenas um Acidente”, se apresenta como gatilho de um desejo de…

SINOPSE — A violenta face do capitalismo em “A única saída”

É curioso notar como o cinema sul-coreano tem se mostrado particularmente afiado ao abordar as contradições do capitalismo. Filmes como “Parasita”, de Bong Joon-ho, já haviam escancarado essas fissuras. “A única saída”, novo filme de Park Chan-wook  (por trás de obras como “Oldboy” e “A criada”) segue esse caminho, mas com uma abordagem ainda mais ácida, transformando o desespero econômico em uma farsa cruel. E aqui vai uma pequena ironia adicional: enquanto Hollywood distribui estatuetas e discursos emocionados durante a temporada de premiações, filmes como este foram completamente…

SINOPSE — Mulheres, cinema e a disputa por narrativa

Por muito tempo, a história do cinema foi contada a partir de um olhar majoritariamente masculino, branco e hegemônico que definiu não apenas quais histórias mereciam ser filmadas, mas também como corpos, afetos, conflitos e subjetividades seriam representados na tela. No entanto, desde o surgimento do cinema, as mulheres sempre estiveram presentes, ainda que muitas vezes apagadas. Estiveram sempre criando, produzindo, montando, escrevendo e, cada vez mais, dirigindo. O que observamos acontecer hoje, muito sutilmente, é que a abertura para mulheres à frente das produções cinematográficas…

SINOPSE — “F1: O filme” adrenalina máxima e emoção no limite

“F1: O filme” é um espetáculo e sabe muito bem disso. O filme se apresenta como uma experiência sensorial arrebatadora, dessas que fazem o corpo vibrar junto com o ronco dos motores. Entre curvas fechadas, cicatrizes abertas e grandes homenagens, o longa se revela um convite irrecusável para quem ama cinema esportivo (já que a história parte de um arquétipo clássico do gênero). O longa traz Sonny Hayes (Brad Pitt) como o nome mais promissor da Fórmula 1 dos anos 90, até que um acidente brutal o arranca das pistas. Três décadas depois, ele é chamado de volta por Ruben (Javier Barden), antigo…

SINOPSE — A poesia silenciosa de uma vida comum em “Sonhos de trem”

“Sonhos de trem” (2025), segundo longa-metragem de Clint Bentley, é um desses raros filmes que contam uma história que nos atravessa. É cinema feito sem pressa, que respira junto com a natureza e que nos convida a desacelerar para sentir. Um filme que fala de finitude, memória e permanência com uma delicadeza que desarma e emociona.  Esse é o novo projeto da dupla Greg Kwedar e Clint Bentley, que trabalharam juntos no maravilhoso drama prisional “Sing Sing”, mas que aqui intercalam a função de diretor e roteirista. Baseado na obra homônima do escritor e poeta americano Denis Johnson, “Sonhos…

SINOPSE — “Valor sentimental” um drama familiar sobre feridas emocionais que não cicatrizam

Há filmes que se anunciam desde o início como algo raro e “Valor Sentimental” é exatamente esse tipo de experiência. O novo filme do diretor dinamarquês Joachim Trier (o mesmo do excelente “A pior pessoa do mundo”), é uma obra madura, espirituosa quando precisa aliviar a respiração do espectador, triste sem jamais recorrer à chantagem emocional e tecnicamente elegante de uma ponta à outra. Um filme que não grita suas dores, mas as deixa ecoar nos espaços, nos corpos e, sobretudo, nos silêncios. É um trabalho sobre memória e o poder reconciliador da arte. Em seu filme anterior, o diretor…

SINOPSE — O preço de se achar especial: “Marty Supreme” e a falácia do vencedor

Sabendo que se trata de um filme assinado por Josh Safdie eu já esperava que “Marty Supreme” tivesse um alto nível de frenesi e histeria impresso na tela. Há um tipo específico de vertigem que atravessa a filmografia do cineasta: corpos em movimento constante, diálogos atropelados, decisões impulsivas e uma câmera que parece sempre um passo atrás dos personagens, como se também estivesse tentando alcançá-los. Aqui, ainda que sem o irmão Benny na codireção, Josh mantém esse DNA intacto. O que muda é o foco. Se em “Joias Brutas” o delírio girava em torno das apostas e do colapso de um ideal…

SINOPSE — A trupe, o cerrado e o segredo: os caminhos sensíveis de “Entramas”

A cabine de imprensa de “Entramas” reuniu jornalistas, convidados e parte da equipe para apresentar o primeiro longa-metragem de Justino Vettore com um retorno às raízes que o formaram: o palco, a poesia e o teatro mambembe transbordando significado e emoção em cada cena. Há algo profundamente comovente em ver um diretor tão jovem reencontrar o próprio início, como quem abre uma velha caixa de memórias e deixa o pó do tempo se misturar ao brilho do presente. Financiado pela Lei Paulo Gustavo e produzido pela Fábrica Produções, o filme já nasce como marco, tendo mais de 100 trabalhadores…

SINOPSE — O audiovisual como soft power brasileiro

Durante muito tempo, o cinema brasileiro aprendeu a existir apesar de tudo. Apesar da escassez de recursos, da censura, da instabilidade política, do descrédito interno e da concorrência predatória de um mercado dominado por Hollywood. Ainda assim, resistiu. E não apenas resistiu como construiu uma linguagem própria, plural, inventiva, profundamente conectada com o país que somos e com o país que insistimos em esconder de nós mesmos. Hoje, esse cinema atravessa fronteiras com força renovada. Festivais, premiações internacionais, plataformas de streaming e a crítica estrangeira voltaram seus…

SINOPSE — “Bugonia”: entre o delírio conspiratório e a lucidez do absurdo

Desde que Yorgos Lanthimos passou a ocupar um lugar central no cinema contemporâneo, entrar em uma sessão de um filme seu esperando conforto narrativo virou um equívoco básico. “Bugonia” confirma essa regra, pois temos aqui a quantidade exata de loucura para sustentar o absurdo, sem que ele descambe para o puro esgotamento (ainda que tropece quando tenta explicar demais aquilo que funcionava melhor como dúvida). Um filme monstruoso, estranho e violento, dançando os movimentos de uma coreografia perturbadora e provocadora. Adaptando o longa sul-coreano “Salve o Planeta…

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