Audiovisual do Tocantins amplia presença em festivais e soma prêmios após retomada de políticas culturais

Produções audiovisuais do Tocantins têm ampliado a presença em festivais nacionais e internacionais nos últimos anos, com destaque para obras contempladas por editais públicos e pelo aumento de investimentos no setor. Desde 2023, com a recriação da Secretaria de Estado da Cultura do Tocantins, o estado passou a estruturar políticas de fomento que resultaram na circulação de filmes em diferentes circuitos e na conquista de prêmios.

Entre os destaques está o documentário Da Aldeia à Universidade, que soma 34 seleções oficiais em festivais e 13 prêmios. A produção integrou a programação do Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu o prêmio de melhor trailer e teaser. O filme também foi premiado em eventos como o Festival de Cinema e Vídeo de Floriano (PI) e o Festival NOIA, consolidando presença no circuito nacional.

Outro exemplo é o longa-metragem Entramas, filmado em Taquaruçu, distrito de Palmas, e selecionado para o Bogura International Film Festival. A obra reúne produções de 32 países e tem participação brasileira na programação. O filme foi contemplado por edital da Lei Paulo Gustavo no Tocantins.

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O longa-metragem “Entramas” foi gravado em julho de 2024, em Taquaruçu – Foto: Flaviana OX/Divulgação

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Investimentos e políticas públicas

Os resultados estão associados ao volume de recursos aplicados no setor. Pela Lei Paulo Gustavo, o Tocantins recebeu R$ 25,6 milhões, sendo cerca de R$ 20,3 milhões destinados ao audiovisual, com execução superior a 99%. Ao todo, 87 projetos foram contemplados.

Pela Política Nacional Aldir Blanc, outras 50 iniciativas audiovisuais foram selecionadas, distribuídas entre diferentes regiões do estado, com 14 projetos em Palmas e os demais divididos entre as regiões norte, central e sul.

O governador Wanderlei Barbosa afirmou que os resultados estão relacionados às políticas implementadas após a recriação da secretaria.

“Quando recriamos a Secult, reafirmamos o compromisso de colocar a cultura no centro do desenvolvimento do Tocantins. O destaque nacional e internacional das produções mostra que investir nos artistas e nos criadores é investir na identidade e no futuro do nosso estado”, reforça.

A analista técnica do setor audiovisual da Secult, Ana Elisa Martins, atribui o avanço à ampliação de editais e programas de incentivo.

“O impacto veio principalmente por meio de editais de fomento que financiaram projetos de produção, bolsas e eventos, criando uma base concreta para o crescimento do audiovisual tocantinense”, pontua.

Produção local e circulação

O diretor e produtor Túlio de Melo destacou a produção local no caso do documentário Da Aldeia à Universidade.

“Estamos muito felizes e orgulhosos com os resultados do documentário Da Aldeia à Universidade. O filme foi produzido e distribuído por uma empresa do Tocantins e isso é muito significativo, porque grande parte das produções locais busca distribuidoras de fora do estado. Estamos fazendo história no cinema tocantinense”, enfatiza.

Documentário “Da Aldeia a Universidade” promove reflexões sobre a jornada de dois indígenas da etnia Xerente no ensino superior – Foto: Divulgação

No campo da difusão, o estado também passou a sediar eventos como o Festival CineToca, que recebeu 443 inscrições na edição de 2025 e selecionou 12 obras para exibição. A premiação inclui o Troféu Ritxòkò, inspirado em referências culturais indígenas do Tocantins.

O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra, afirmou que o setor tem apresentado crescimento nos últimos anos. “O que vemos, atualmente, é o resultado de planejamento, escuta e investimento consistente. As histórias do Tocantins estão chegando a novos públicos, fortalecendo a economia criativa e consolidando o estado como território de produção cultural relevante”, destaca.

Expansão para outras áreas culturais

Além do audiovisual, a presença cultural do estado também tem sido registrada em outras linguagens artísticas. Grupos tradicionais, como o Tia Bem-vinda, com a Suça, têm participado de eventos fora do Tocantins, ampliando a visibilidade das manifestações culturais locais.

A recriação da Secult ocorreu por meio da Lei nº 4.161, em 2023, e, segundo o governo, possibilitou a estruturação de políticas públicas voltadas ao incentivo à produção cultural em diferentes áreas.

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