O motorista Luiz Carlos Rodrigues teve um prejuízo de quase R$ 30 mil após cair no chamado golpe do falso advogado. Segundo ele, o criminoso entrou em contato afirmando que uma ação judicial havia sido vencida e que seria necessário realizar um pagamento para receber o valor.
O golpista utilizou informações relacionadas a um processo real para dar credibilidade à abordagem. Luiz conta que recebeu a informação de que teria direito a R$ 20 mil por danos morais relacionados à compra de um terreno, sendo R$ 17 mil destinados a ele e R$ 3 mil ao suposto escritório.
Dinheiro foi retirado
Durante a conversa, o criminoso enviou um link para que Luiz realizasse o pagamento de uma suposta taxa. Segundo a vítima, ao acessar o endereço e utilizar a conta bancária, o dinheiro disponível foi retirado.
“Nesse link, na hora que eu colei na minha conta, raspou o saldo que eu tinha na conta”, relatou.
Luiz afirma que a utilização de informações verdadeiras sobre o processo tornou a fraude mais convincente.
“A coisa é tão real que a pessoa acaba sendo iludida. Parece que ela é hipnotizada a fazer o que eles pedem”, contou.
Mais de 17,5 mil vítimas relataram golpe à OAB
O golpe do falso advogado utiliza nomes, fotografias e informações de profissionais e processos reais para abordar vítimas e solicitar pagamentos.
Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), até dezembro do ano passado, mais de 17,5 mil pessoas relataram ter sido vítimas desse tipo de fraude no país. O número pode ser maior porque nem todas as ocorrências são comunicadas à entidade.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam ainda que o país registrou mais de 2 milhões de casos de estelionato em 2025.
No Tocantins, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) ajuizou, em janeiro de 2025, uma Ação Civil Pública na Justiça Federal buscando medidas de prevenção contra esse tipo de golpe.
A ação tem como alvos bancos, operadoras de telefonia e empresas de tecnologia e também pede a responsabilização solidária das empresas por danos morais coletivos e individuais.
Veja como evitar o golpe
Uma das principais orientações é desconfiar de contatos feitos por números diferentes daqueles já utilizados pelo advogado ou escritório responsável pelo processo.
O cientista da computação Evaldo Reis recomenda que, ao receber uma mensagem desse tipo, a pessoa não responda imediatamente e procure o profissional pelo contato que já possui.
Também é importante desconfiar de solicitações de transferências, Pix ou acesso a links sob a justificativa de que o pagamento é necessário para liberar indenizações ou precatórios.
Outra medida é consultar o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) para verificar a situação cadastral do profissional. A confirmação, porém, não deve se limitar ao nome ou registro apresentado pelo interlocutor, já que criminosos podem utilizar dados verdadeiros de advogados.
O delegado Tiago Daniel também recomenda buscar referências e confirmar diretamente com o profissional antes de realizar qualquer pagamento.