Empresário foi amarrado, asfixiado e morto por mulher com quem mantinha caso extraconjugal; autora foi condenada a 24 anos de prisão

O empresário José Paulo Couto, de 75 anos, foi amarrado, golpeado com uma faca e morto por asfixia após uma discussão dentro de uma residência em Araguaína. Quase um ano depois do crime que chocou a cidade, a técnica de enfermagem Rejane Mendes da Silva, de 45 anos, foi condenada a 24 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, furto, adulteração de veículo e ocultação de cadáver.

A sentença foi proferida nesta terça-feira (16) pelo Tribunal do Júri de Araguaína. Segundo a decisão, a vítima foi atacada quando já estava imobilizada, sem qualquer possibilidade de defesa. O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi cometido por motivo torpe e mediante meio cruel.

O corpo do empresário foi encontrado em 10 de julho de 2025, enrolado em panos e abandonado sob uma ponte às margens do Rio Lontra. No mesmo dia, o carro utilizado por José Paulo foi localizado em um terreno baldio no setor Dom Orione, com a placa adulterada por fitas isolantes.

Discussão terminou em assassinato

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Rejane mantinha um relacionamento extraconjugal com o empresário. O caso teria chegado ao fim quando José Paulo decidiu encerrar a relação e reduzir um auxílio financeiro que supostamente repassava à mulher.

A decisão provocou uma discussão entre os dois. Conforme apurado pelos investigadores, o empresário acabou rendido e amarrado pelos braços e pelo pescoço dentro da residência da acusada.

Em depoimento à polícia, a própria Rejane confessou o crime. Ela relatou que, após deixar a vítima imobilizada, foi até a cozinha buscar água e viu uma faca.

Segundo seu relato, naquele momento decidiu matar o empresário porque acreditava que ele poderia denunciá-la caso sobrevivesse.

Vítima acreditou que seria libertada

Um dos trechos mais impactantes da investigação consta no depoimento da acusada. Segundo ela, José Paulo acreditava que a faca seria usada para cortar as cordas que o prendiam.

Conforme relatado à polícia, o empresário teria pedido para ser libertado e afirmado que a perdoaria. Em vez disso, foi atacado.

O laudo pericial concluiu que a causa da morte foi asfixia por estrangulamento. Os peritos também encontraram sinais de agressões, incluindo cortes no pescoço e fratura em um dos punhos da vítima.

Irmã ajudou a ocultar o corpo

Após o assassinato, as investigações apontaram que Rejane se desfez de objetos pertencentes ao empresário, incluindo joias e o telefone celular.

A Polícia Civil concluiu ainda que a mulher contou com a ajuda da irmã, Lindiana Mendes da Silva, para ocultar o cadáver.

Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação de veículos ligados às duas mulheres na manhã em que o corpo foi retirado da residência.

Por causa da participação na ocultação do cadáver, Lindiana foi condenada a 1 ano e 3 meses de prisão em regime aberto. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Pena em regime fechado

Além da pena de 24 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, Rejane também foi condenada ao pagamento de indenização mínima de R$5 mil aos familiares da vítima por danos morais.

Como já estava presa preventivamente desde 2025, ela permanecerá detida para início imediato do cumprimento da pena.