O Hospital Dom Orione, em Araguaína, anunciou que suspenderá temporariamente parte dos atendimentos eletivos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), alegando atrasos nos repasses financeiros do Governo do Tocantins. A unidade afirma acumular cerca de R$ 49,3 milhões em valores pendentes e informou que não consegue mais manter os serviços contratualizados com recursos próprios.
Segundo o cronograma divulgado pelo Hospital Dom Orione, a partir das 8h desta segunda-feira (27) serão suspensas as cirurgias urológicas, cardíacas, neurocirurgias, cirurgias endovasculares e demais procedimentos eletivos de baixa, média e alta complexidade contratualizados pelo SUS.
Já a partir das 8h do dia 3 de agosto, a suspensão será ampliada para os serviços de obstetrícia eletiva, pré-natal de alto risco e neonatologia eletiva.
O hospital informou que continuarão sendo realizados os atendimentos de urgência e emergência, as cirurgias de urgência, os atendimentos obstétricos de urgência, a assistência aos pacientes já internados até a alta hospitalar e os procedimentos cuja interrupção represente risco à vida ou possibilidade de dano irreversível à saúde.
Sindicato havia alertado
Dias antes do anúncio do Hospital Dom Orione, o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindessto) encaminhou uma notificação extrajudicial à Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e à Secretaria de Estado da Administração (Secad).
No documento, datado de 17 de julho, a entidade afirma que hospitais, clínicas, laboratórios e demais prestadores credenciados ao Estado enfrentam atrasos nos pagamentos que comprometem o equilíbrio financeiro das instituições.
Segundo o sindicato, os estabelecimentos continuam realizando cirurgias, internações, exames e outros procedimentos enquanto acumulam despesas com medicamentos, materiais hospitalares, folha de pagamento, tributos e fornecedores.
A entidade concedeu prazo até 31 de julho para que o Estado apresente uma solução, incluindo a quitação de débitos anteriores e um cronograma para regularização dos pagamentos referentes a 2026.
Após o anúncio da suspensão, a Secretaria de Estado da Saúde informou que notificará formalmente o Hospital Dom Orione e adotará medidas administrativas e judiciais para garantir a continuidade dos atendimentos.
Segundo a pasta, a suspensão unilateral dos serviços eletivos é incompatível com as obrigações previstas nos contratos firmados entre as partes.
A SES também anunciou a instauração de uma auditoria para verificar os débitos efetivamente existentes, afirmando que os valores divulgados pelo hospital divergem daqueles registrados nos processos administrativos da secretaria.
Governo repassou mais de R$ 44 milhões
Em nota, a Secretaria informou que, entre janeiro e julho de 2026, repassou R$ 44.058.971,83 ao Hospital Dom Orione referentes aos contratos vigentes.
De acordo com a pasta, os recursos foram destinados a contratos de cirurgias cardíacas, serviços assistenciais, obstetrícia, cumprimento de requisição judicial e ao complemento do piso nacional da enfermagem para entidades filantrópicas.
A Secretaria acrescentou que realizou um novo pagamento de R$ 2.451.939,32 no último dia 23 de julho, destinado à Rede Alyne e a contratos relacionados a cardiologia, cirurgias endovasculares e outras especialidades.
Segundo o Governo, parte das obrigações contratuais já foi quitada e os demais contratos permanecem em processo de regularização financeira.
Hospital diz que retomará serviços após regularização
O Hospital Dom Orione afirmou que a suspensão decorre exclusivamente da falta de regularização dos pagamentos devidos pelo Estado referentes aos contratos do SUS.
A instituição informou que pretende retomar integralmente os procedimentos eletivos assim que forem restabelecidas as condições econômico-financeiras necessárias para manutenção dos serviços.