O número de ocorrências com menções a corpos ou restos mortais queimados ou carbonizados dobrou no Tocantins em 2026 na comparação com o mesmo período dos dois anos anteriores. Levantamento da Secretaria da Segurança Pública (SSP/TO) identificou quatro registros entre 1º de janeiro e 10 de setembro deste ano, contra dois em 2025 e dois em 2024.
Em nota encaminhada ao Jornal Primeira Página após solicitação da reportagem, a SSP ressaltou que, apesar do aumento, a quantidade de ocorrências ainda é pequena e os casos apresentam circunstâncias diferentes. Por isso, segundo a pasta, não é possível apontar uma tendência consolidada de crescimento nem estabelecer relação entre os episódios.
Os dados foram levantados na base do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública/Procedimentos Policiais Eletrônicos (Sinesp/PPE).
Palmas concentra dois dos quatro registros de 2026
Dos quatro casos registrados neste ano, dois ocorreram em Palmas, um em Paranã e outro em Santa Fé do Araguaia.
Na Capital, uma das ocorrências envolve partes de uma ossada humana encontradas em uma área verde que havia sido recentemente atingida pelo fogo.
O segundo caso ocorreu às margens da TO-010, onde um corpo carbonizado foi localizado dentro de um veículo incendiado. As circunstâncias das duas mortes ainda são investigadas.
Em Paranã, o corpo foi encontrado próximo a uma motocicleta em uma área atingida por uma queimada. Conforme a SSP, existe a hipótese de acidente.
Já em Santa Fé do Araguaia, a vítima apresentava carbonização parcial e ferimentos provocados por disparos de arma de fogo na região da cabeça.
Corpo carbonizado não significa necessariamente crime
A SSP chama atenção para o fato de que encontrar um corpo queimado ou carbonizado não significa, isoladamente, que tenha ocorrido uma morte violenta ou que o fogo tenha sido utilizado durante a prática de um crime.
A definição da causa da morte e da dinâmica de cada ocorrência depende dos exames periciais e das respectivas investigações.
Embora 2026 tenha registrado dois casos a mais que os mesmos períodos de 2024 e 2025, a Secretaria afirma que a quantidade reduzida e as diferentes circunstâncias impedem, neste momento, concluir que exista uma mudança no perfil das ocorrências.