Com a classificação da Seleção Brasileira para a segunda fase da Copa do Mundo de 2026, uma dúvida comum voltou a surgir entre trabalhadores e empregadores: as empresas são obrigadas a liberar funcionários durante os jogos do Brasil?
A questão ganha ainda mais relevância porque o próximo compromisso da equipe comandada por Carlo Ancelotti será na segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em pleno expediente de trabalho para milhões de brasileiros.
Após vencer a Escócia e garantir a liderança do Grupo C, o Brasil avançou aos 16 avos de final e enfrentará o segundo colocado do Grupo F, que será definido nesta quinta-feira (25).
Liberação não é obrigatória
Apesar da tradição criada em Copas do Mundo, a legislação trabalhista brasileira não prevê folga obrigatória em dias de jogos da Seleção Brasileira.
Na prática, isso significa que as empresas não são obrigadas a liberar funcionários, reduzir a jornada ou flexibilizar horários por causa das partidas.
Quando a dispensa ocorre, a decisão parte exclusivamente do empregador, que pode optar por liberar os trabalhadores, transmitir o jogo no ambiente de trabalho ou manter o expediente normalmente.
Empresas devem flexibilizar horários
Uma pesquisa realizada pela Catho com 420 empresas mostrou que apenas 5% pretendem manter o expediente totalmente normal durante os jogos da Seleção Brasileira.
Segundo o levantamento, 76% das empresas afirmam que a Copa do Mundo impacta a rotina corporativa de alguma forma.
Entre as medidas mais adotadas estão a transmissão dos jogos dentro da empresa, alternativa escolhida por 26% dos entrevistados, e a liberação antecipada dos funcionários, adotada por 24%.
Para Patrícia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, a tendência é que as empresas busquem equilibrar produtividade e bem-estar dos colaboradores.
“Existe uma percepção maior das empresas de que flexibilizar a rotina em momentos específicos pode contribuir para engajamento, clima organizacional e até produtividade”, avalia.
Horas podem ser compensadas
Quando a empresa decide liberar os funcionários durante o expediente, as horas não trabalhadas podem ser compensadas posteriormente.
Segundo especialistas em Direito do Trabalho, essa compensação precisa ser previamente combinada entre empregador e empregado e respeitar os limites previstos na legislação.
A regra permite, por exemplo, até duas horas extras por dia para compensação da jornada.
Dependendo do acordo firmado, a reposição das horas pode ocorrer em um período de até um ano.
Falta sem justificativa pode gerar desconto
Quem faltar ao trabalho para assistir ao jogo sem autorização continua sujeito às mesmas consequências previstas para qualquer ausência injustificada.
O trabalhador pode sofrer desconto salarial, perder o descanso semanal remunerado e receber advertências ou suspensões em casos de reincidência.
Especialistas destacam, porém, que uma falta isolada para assistir a uma partida não configura automaticamente motivo para demissão por justa causa.
Setores essenciais têm regras mais rígidas
Para profissionais que atuam em áreas consideradas essenciais, como saúde, segurança pública, transporte, supermercados, comércio e atendimento ao público, as regras costumam ser mais restritivas.
Nesses casos, a continuidade dos serviços deve ser garantida, independentemente da realização dos jogos.
Por isso, especialistas recomendam diálogo e planejamento entre empregadores e trabalhadores para evitar conflitos e garantir que as atividades não sejam prejudicadas.
Brasil joga na segunda-feira
O próximo compromisso da Seleção Brasileira será na segunda-feira (29), às 14h, em Houston, nos Estados Unidos.
A partida marcará o início da fase eliminatória da Copa do Mundo. A partir de agora, quem perder está eliminado da competição.
Com informações do G1 nacional