Armas furtadas em Palmas teriam abastecido criminosos e quitado dívidas do tráfico

Uma investigação sobre a circulação de armas e dinheiro entre integrantes de organizações criminosas levou a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (Ficco/TO) a deflagrar, nesta quinta-feira, 20, a Operação Arsenal. Cerca de 120 policiais participam da ação, que cumpre 15 mandados de busca e apreensão em Palmas, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins e Imperatriz, no Maranhão.

A investigação teve início após o furto de armas de fogo e coletes balísticos de uma empresa de segurança privada em Palmas. Conforme a apuração, os responsáveis pelo crime interromperam os sistemas de energia e monitoramento do estabelecimento antes de retirar os equipamentos.

As diligências realizadas posteriormente apontaram que parte das armas furtadas deixou o Tocantins e foi encaminhada para outros estados. Segundo a investigação, o armamento teria sido utilizado para quitar dívidas relacionadas ao tráfico de drogas e abastecer integrantes de organizações criminosas.

Rede alcançava cinco estados

Com o avanço das investigações, foram identificadas conexões entre integrantes de diferentes grupos criminosos e uma rede com atuação envolvendo Tocantins, Goiás, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro.

Entre os investigados estão operadores que atuavam no Tocantins e em Goiás e que, segundo a Ficco/TO, mantinham vínculos com integrantes de organizações criminosas de alcance nacional.

A análise financeira também identificou transferências entre pessoas relacionadas a diferentes grupos. Os dados reunidos apontam para uma estrutura compartilhada destinada à circulação de armamentos e recursos financeiros entre os estados.

Investigados movimentaram milhões

Na frente financeira da investigação, foram identificadas contas bancárias de terceiros, empresas e depósitos realizados de forma fracionada. Segundo a apuração, esses mecanismos teriam sido utilizados para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.

Os investigados teriam movimentado milhões de reais em períodos curtos, em transações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira identificada.

Conforme a investigação, os valores estariam relacionados à estrutura utilizada nas atividades de tráfico de armas e drogas.

Operação busca armas ainda não recuperadas

Além de aprofundar a investigação financeira, a Operação Arsenal busca localizar armas que ainda não foram recuperadas e identificar outros possíveis integrantes do esquema.

A Ficco/TO também pretende detalhar os mecanismos logísticos e financeiros utilizados para movimentar armas, drogas e recursos ilícitos entre diferentes estados.