A Polícia Civil reconstruiu a relação entre Igor Veloso de Sousa e Sabrina da Silva Feitosa para identificar elementos que pudessem explicar a motivação atribuída à morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos. Segundo o delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação identificou um histórico de controle, ameaças e violência contra a mãe da criança que começou ainda durante a gravidez.
De acordo com o delegado, Igor e Sabrina se conheceram pelas redes sociais em 2018. Na época, ele ofereceu a ela um emprego como secretária no escritório de advocacia do qual era proprietário. A relação profissional evoluiu para um relacionamento amoroso, do qual nasceu Gustavo, em 10 de janeiro de 2023.
Segundo a investigação, após descobrir a gravidez, Igor inicialmente se comprometeu a ajudar com despesas, mas, ao longo da gestação, teria passado a exercer controle sobre Sabrina, inclusive querendo saber onde ela estava.
Dez dias após o nascimento de Gustavo, Sabrina, que trabalhava no escritório de Igor, foi demitida. A polícia reuniu mensagens em que ela relatava dificuldades financeiras e pedia ajuda para custear as próprias necessidades e as do filho. Entre os materiais citados pelo delegado estão conversas em que Sabrina dizia ter perdido peso e estar enfrentando dificuldades para se alimentar, além de uma fotografia enviada por ela mostrando a geladeira vazia.
Ameaças começaram
Segundo Eduardo Menezes, aproximadamente oito meses depois do nascimento de Gustavo, Igor buscou maior aproximação com a criança e pediu que o menino permanecesse em sua residência sem a presença da mãe.
Sabrina teria questionado a possibilidade porque Gustavo tinha cerca de nove meses e, segundo ela, ainda não estava preparado para pernoitar longe dela. Conforme a investigação, a discordância foi seguida por uma série de ameaças.
A polícia teve acesso a áudios em que Igor teria ameaçado Sabrina de morte. Ela conseguiu uma medida protetiva e, posteriormente, segundo o relato apresentado pelo delegado, Igor foi até a residência da mulher e atingiu o portão com um carro.
Para a Polícia Civil, esse histórico ganhou importância na análise da morte de Gustavo porque a investigação buscava determinar se as agressões contra a criança tinham como objetivo atingir emocionalmente a mãe.
“A minha conclusão é que o Igor alcançou o seu objetivo”, afirmou o delegado Eduardo Menezes ao relacionar o histórico de ameaças ao resultado da investigação sobre a morte de Gustavo.
O delegado explicou que, após deixar o local onde Gustavo foi encontrado morto, foi até a Central de Atendimento da Polícia Civil, onde Sabrina estava. Na ocasião, ela apresentou materiais que mostravam, segundo a investigação, o menino com lesões após períodos de convivência com o pai.
“Ficou claro que durante esses dois anos o menino sofria violência”, afirmou Menezes.
Outros filhos
A existência de agressões anteriores contra Gustavo, entretanto, não foi considerada suficiente, isoladamente, para sustentar a conclusão de vicaricídio. Por isso, os investigadores também ouviram a mãe dos outros filhos de Igor, fruto do primeiro casamento.
Segundo o delegado, esse depoimento indicou uma diferença na forma como as crianças eram tratadas. A investigação apontou que Gustavo retornava machucado de períodos de convivência com o pai, enquanto o mesmo não era relatado em relação aos outros filhos.
Esse conjunto de elementos foi usado pela Polícia Civil para sustentar a conclusão de que a violência contra Gustavo estaria relacionada à intenção de provocar sofrimento e punir Sabrina.
Na etapa final do inquérito, Igor voltou a ser interrogado. O depoimento ocorreu na semana passada e durou aproximadamente duas horas e 15 minutos. A versão apresentada por ele foi confrontada com os demais elementos reunidos ao longo da investigação.