Nem só a falta de água preocupa; veja como o calor e a baixa umidade afetam cães e gatos
Mesmo com as chuvas que surpreenderam moradores no início de setembro, o calor continua intenso no Tocantins. As temperaturas chegam a 38°C em algumas cidades e o estado está sob alertas de baixa umidade. Para cães e gatos, a combinação exige atenção dos tutores, já que pode provocar desidratação, hipertermia e até queimaduras nas patas.
Em entrevista ao Jornal Primeira Página, a veterinária Luana Martins Nascimento, que atua há cinco anos na área, explicou que os animais também sofrem com as altas temperaturas e que alguns sinais podem indicar quando o calor já está causando problemas.
“Durante períodos de calor intenso, os principais problemas são desidratação, hipertermia, que é o aumento excessivo da temperatura corporal, e, nos casos mais graves, golpe de calor, que é uma emergência veterinária”, explicou.
Segundo a veterinária, animais com problemas respiratórios também podem apresentar piora no quadro. A baixa umidade pode favorecer irritação e ressecamento das vias respiratórias e dos olhos, principalmente naqueles que já possuem doenças nessas regiões.

Ofegação excessiva pode ser sinal de alerta
Um dos primeiros sinais de que um cachorro está sofrendo com o calor é a ofegação excessiva, principalmente quando ela continua mesmo depois de o animal descansar em um ambiente fresco.
Salivação intensa, inquietação, fraqueza e dificuldade para caminhar também devem chamar a atenção. Em situações mais graves, podem ocorrer vômitos e alterações na coloração das gengivas.
A recomendação é não esperar que o quadro se agrave para tomar providências. Conforme Luana, a prevenção é fundamental durante os dias de temperaturas mais elevadas.
O teste da mão ajuda a proteger as patas
Outro risco está no contato das patas com superfícies aquecidas pelo sol. Em dias muito quentes, a orientação é concentrar os passeios no início da manhã ou à noite e evitar principalmente o período entre 10h e 16h, quando a temperatura do solo e a radiação solar costumam estar mais elevadas.
Uma forma simples de avaliar se o chão está adequado para o passeio é fazer um teste com a própria mão.
“Uma dica simples é colocar o dorso da mão no chão por alguns segundos. Se estiver quente demais para a mão, também estará quente demais para as patas do animal”, orientou.
Durante o passeio, o comportamento do pet também deve ser observado. Se o animal diminuir o ritmo, procurar sombra, parar constantemente ou apresentar muita ofegação, a atividade deve ser interrompida.
Água fresca deve ficar disponível durante todo o dia
A hidratação é outro cuidado importante. A veterinária recomenda manter água limpa e fresca sempre disponível e, se possível, distribuir mais de um recipiente pela casa.
No caso dos gatos, fontes com água corrente podem ajudar a estimular o consumo. Alimentos úmidos, como sachês e patês, também podem contribuir para aumentar a oferta de líquidos. Outra possibilidade é acrescentar um pouco de água à alimentação, desde que o animal aceite.
Os pets também devem permanecer, sempre que possível, em ambientes frescos e ventilados.
Alguns animais correm mais riscos
Embora todos os animais precisem de cuidados, alguns são mais vulneráveis às altas temperaturas. Entre eles estão filhotes, idosos, animais obesos e aqueles que possuem doenças cardíacas ou respiratórias.
Também é necessário ter atenção especial com cães braquicefálicos, que possuem focinho mais curto e maior dificuldade para perder calor por meio da respiração.
Nesses casos, Luana recomenda ainda mais rigor com os horários dos passeios e com o tempo de exposição ao calor.
Chuvas surpreenderam, mas calor continua
O início de setembro teve registros de chuva em diferentes regiões do Tocantins, apesar de o período fazer parte da estação de estiagem. Segundo a meteorologista Maissa Carvalho, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em entrevista ao g1, a climatologia de setembro no estado varia entre 10 e 50 milímetros.
Em Palmas, foram registrados 42,4 mm até o momento, o equivalente a cerca de 91% do volume climatológico citado para o mês, de 46,2 mm. Em Araguaína, foram registrados 19,4 mm, enquanto o volume climatológico informado para setembro é de 51,6 mm.
Segundo a meteorologista, as chuvas do início do mês estão relacionadas à atuação de uma massa de ar mais úmida, que encontrou condições atmosféricas favoráveis à precipitação. A previsão climática também aponta possibilidade de chuvas acima da média em setembro.
Apesar disso, as altas temperaturas permanecem. Palmas tem previsão de máxima de 35°C nesta sexta-feira (11), enquanto Araguaína pode chegar a 36°C e Gurupi, a 37°C.
O Tocantins também está sob dois alertas de baixa umidade. O aviso amarelo vale das 9h às 22h desta sexta-feira, enquanto o alerta laranja começa às 10h e segue até as 19h.
Temporais já causaram transtornos
As chuvas registradas neste mês também vieram acompanhadas de transtornos em algumas cidades. No dia 3 de setembro, temporais provocaram quedas de árvores e enxurradas entre Miranorte e Tabocão. Um dia antes, Colinas do Tocantins registrou quedas de tendas e árvores durante uma chuva forte.
Palmas também teve chuva e ventania na região central no último sábado (5). Durante o feriado, nos dias 7 e 8, o Inmet emitiu alertas de tempestade e de chuvas intensas para o estado.
