Após se acorrentar no HGP, mãe vai ao MP cobrar transferência do filho
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a mãe de uma criança cardiopata acorrentada em frente ao Hospital Geral de Palmas (HGP), onde protestou para cobrar a transferência do filho, internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, para tratamento fora do Tocantins.
O vídeo registra um momento anterior do protesto. Laís Souza Carvalho já deixou a frente do HGP e, nesta quarta-feira, 9, foi até o Ministério Público do Tocantins (MPTO). Segundo ela, a intenção era se acorrentar também no local para continuar cobrando uma solução para o filho.
Ao chegar ao Ministério Público, porém, Laís afirma que foi orientada a entrar e aguardar dentro da instituição. Segundo a mãe, foi informado que ela deverá conversar com um promotor até as 17 horas.
Laís, que é de Paraíso do Tocantins, afirma que o filho precisa ser transferido para São José do Rio Preto (SP), onde já passou por duas cirurgias cardíacas. Segundo ela, há uma decisão judicial determinando a transferência para tratamento fora do estado.
Mãe diz que já precisou recorrer à Justiça anteriormente
Durante o protesto no HGP, Laís relatou que enfrentou uma situação semelhante há cerca de dois anos e que também precisou recorrer à Justiça para conseguir atendimento para o filho em São José do Rio Preto.
“Quanto mais o tempo passa, mais o meu filho fica em estado grave”, afirmou.
Ela também relatou tentativas de contato com autoridades estaduais em busca de uma solução e fez um apelo para que a transferência fosse realizada com urgência.
“Eu faço esse clamor, eu estou aqui pedindo, me humilhando para a transferência do meu filho”, declarou.
Inicialmente, Laís havia afirmado que permaneceria acorrentada em frente ao HGP até receber uma resposta. Posteriormente, ela deixou o hospital e seguiu para o Ministério Público, onde aguarda atendimento.
SES diz que procedimento foi contraindicado neste momento
Em nota enviada ao Jornal Primeira Página, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou que uma decisão judicial inicial foi cumprida com o acompanhamento do paciente no Hospital Municipal de Araguaína, unidade de alta complexidade habilitada para o atendimento do caso.
Segundo a pasta, após avaliação das equipes de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica, o procedimento de Fontan foi contraindicado neste momento devido às condições clínicas do paciente.
A SES afirma que a criança apresenta comprometimento dos principais acessos vasculares, fragilidade clínica e neurológica e necessidade de cuidados pós-operatórios especializados. Conforme a Secretaria, esses fatores aumentam significativamente os riscos de uma nova intervenção cirúrgica.
Justiça determinou transferência para fora do Tocantins
A SES confirmou também que uma nova decisão judicial determinou a transferência do paciente para tratamento fora do estado.
De acordo com a Secretaria, a cotação necessária para o procedimento já havia sido realizada e estão sendo adotadas providências para dar continuidade ao tratamento.
“Diante de nova decisão judicial determinando a transferência do paciente para tratamento fora do Estado, a Secretaria de Estado da Saúde informa que a cotação para a realização do procedimento já havia sido realizada previamente e as providências necessárias estão sendo adotadas para a continuidade do tratamento”, informou.
Apesar disso, a SES não informou na nota quando a transferência será realizada, para qual unidade o paciente será encaminhado ou qual a previsão para o transporte.
Enquanto aguarda uma definição sobre a transferência do filho, Laís permanece no Ministério Público nesta quarta-feira. Segundo ela, a expectativa é conversar com um promotor até as 17 horas.
