Áudio diz que pai de Gustavo teria “quarto especial” na prisão; Seciju nega tratamento diferenciado

Um áudio que circula nas redes sociais levantou questionamentos sobre as condições em que o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, pai de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, está mantido no sistema prisional do Tocantins. Na gravação, um homem afirma, sem apresentar provas, que o investigado estaria separado dos demais presos e teria acesso a um espaço com ar-condicionado.

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) foi procurada para esclarecer as informações e confirmou que Igor está separado do convívio com os demais detentos. A pasta, porém, negou que ele receba qualquer privilégio ou tratamento diferenciado.

No áudio, a pessoa afirma ter recebido a informação de um agente e diz que Igor estaria em um “quarto especial, que até ar-condicionado tem”. Em outro momento, sugere que o tratamento estaria relacionado ao fato de o preso possuir contatos e relações com “gente muito importante”.

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As afirmações feitas na gravação não foram comprovadas. A Seciju não confirmou a existência de ar-condicionado no espaço onde Igor está custodiado e informou que, por questões de segurança, não divulga detalhes sobre sua localização dentro da unidade.

Seciju confirma separação, mas nega privilégio

Em nota encaminhada nesta segunda-feira (10), a Secretaria explicou que a separação de Igor dos demais presos ocorre por critérios de segurança.

“A separação do custodiado Igor Gustavo Veloso de Souza do convívio com os demais detentos segue critérios operacionais de segurança prisional e o disposto na Lei nº 13.167/2015, com o objetivo de resguardar a integridade física do custodiado e manter a ordem e a segurança da própria unidade penal”, informou.

A pasta afirmou ainda que o advogado está submetido às mesmas regras aplicadas aos demais presos da unidade.

“O custodiado cumpre a mesma rotina, normas internas, regulamentos operacionais e horários aplicados a todos os custodiados da unidade, não havendo qualquer tipo de privilégio ou tratamento diferenciado”, declarou.

Sobre a alegação específica de que Igor estaria em um espaço com ar-condicionado, a Secretaria informou que não fornece detalhes sobre a localização dos presos por questões de segurança.

“Por razões de segurança das instalações e proteção dos envolvidos, a Secretaria não divulga detalhes sobre a localização exata ou numeração da ala em que os custodiados se encontram.”

Pai de Gustavo está preso preventivamente

Igor está preso preventivamente no âmbito da investigação sobre a morte do filho, Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos. A criança foi encontrada morta na residência do pai, em Palmas, no dia 3 de agosto.

Segundo a versão inicialmente apresentada por Igor à Polícia Civil, Gustavo teria se afogado na piscina da residência no domingo (2). O laudo do Instituto Médico Legal (IML), entretanto, descartou sinais de afogamento e apontou que a criança sofreu múltiplas agressões, com hemorragia interna e lesões na cabeça e no intestino.

A Polícia Civil informou que Igor e a companheira dele, Kathellen Moreira, são investigados inicialmente pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. A hipótese de violência sexual não foi totalmente descartada e depende de exames complementares.

Defesa afirma que Igor colaborou com investigação

A defesa de Igor afirma que ele se colocou à disposição da Polícia Civil após tomar conhecimento do pedido de prisão preventiva e que o cumprimento do mandado ocorreu após uma entrega voluntária previamente combinada com a autoridade policial.

Os advogados sustentam que não houve tentativa de fuga ou resistência e informaram que, em razão do sigilo das investigações, não se manifestariam sobre aspectos específicos do caso.

A investigação sobre a morte de Gustavo continua sob responsabilidade da Polícia Civil.

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