Pai de Gustavo Veloso foi afastado da presidência do Tribunal de Ética da OAB-TO após denúncia de ameaças contra a mãe da criança
A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, continua reunindo novos desdobramentos. Nesta quarta-feira (5), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) anunciou a suspensão cautelar do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai da criança e investigado no caso. A medida foi adotada enquanto a entidade apura eventual infração disciplinar e ocorre três anos após ele já ter sido afastado da presidência do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-TO, em razão de uma denúncia de ameaças contra a então companheira, mãe de Gustavo.
Segundo a OAB-TO, a decisão foi tomada pela Diretoria da entidade, pelo Conselho Seccional e pela presidência do Tribunal de Ética e Disciplina, com fundamento no Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94). A suspensão tem caráter cautelar e permanecerá em vigor até a instauração e análise do procedimento disciplinar.
Em nota assinada pelo presidente da OAB Tocantins, Gedeon Pitaluga Júnior, e pelo presidente do TED, Fábio Alves Fernandes, a entidade ressaltou que o advogado terá garantidos o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.
“A medida possui natureza cautelar e permanecerá vigente até instauração e análise do respectivo procedimento disciplinar no TED, assegurados ao representado o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.”
A suspensão foi anunciada após a repercussão da morte de Gustavo Veloso Feitosa, encontrado sem vida na casa do pai, em Palmas, depois de passar o fim de semana com ele.
Afastamento da presidência do TED em 2023
O novo desdobramento fez ressurgir um episódio ocorrido em 2023. Naquele ano, Igor Gustavo foi afastado da presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB Tocantins após ser denunciado pela então companheira, Sabrina Feitosa, por supostas ameaças de morte.
Na ocasião, a OAB informou que ele seria substituído pelo advogado Anderson Mendes de Souza e reafirmou o compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra a mulher, além de comunicar que acompanharia as investigações.
Segundo os boletins de ocorrência registrados em 2023, o conflito começou durante uma discussão envolvendo a convivência com o filho do casal, que na época tinha oito meses.
Conforme o relato de Sabrina Feitosa, Igor Gustavo queria levar o bebê para dormir em sua residência, mas ela recusou porque a criança ainda era amamentada.
Após o desentendimento, a mulher afirmou ter recebido mensagens e áudios com ameaças e ofensas atribuídas ao advogado.
Em um dos áudios apresentados à polícia, ele teria dito:
“Sua sorte é que você estava com o menino no colo e tinha muita gente passando na rua. Não vai ter próxima, mas se tiver você não escapa porque eu te meto uma bala na cara.”
Justiça concedeu medida protetiva
Além das supostas ameaças, Sabrina registrou um segundo boletim de ocorrência após o portão de sua residência ser destruído durante a madrugada. Ela afirmou à polícia que o ex-companheiro seria o responsável pelo dano.
Com base nos relatos, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência, determinando que Igor Gustavo mantivesse distância mínima de 200 metros da ex-companheira e proibindo qualquer contato por telefone, mensagens ou outros meios de comunicação.
Defesa contestou afastamento
Na época, Igor Gustavo afirmou que o afastamento deveria ter sido decidido pelo Conselho da OAB, e não pela presidência da instituição.
Em nota, declarou que não buscaria retornar ao cargo, apesar de considerar a medida ilegal, e afirmou que deixava a função “de cabeça erguida”, defendendo sua atuação em favor da advocacia.
O episódio de 2023 voltou a ser citado após a morte de Gustavo Veloso Feitosa.
A defesa da mãe da criança informou que a convivência entre pai e filho era regulamentada pela Justiça e que eventual descumprimento das visitas poderia caracterizar alienação parental e até resultar na reversão da guarda.
A advogada Stella Bueno também pediu que a Polícia Civil represente pela prisão preventiva de Igor Gustavo, investigado pela morte do filho.
Investigação segue sob sigilo
Igor Gustavo passou a ser investigado após procurar espontaneamente a Polícia Civil informando que o filho teria sofrido um afogamento na piscina da residência.
Entretanto, o exame preliminar do Instituto Médico Legal (IML) não encontrou sinais de afogamento e apontou como causa aparente da morte uma laceração intestinal com hemorragia interna e externa. O diretor do IML também informou que o corpo apresentava sinais de violência.
O inquérito é conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e permanece sob sigilo. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer a dinâmica dos fatos e eventual responsabilização criminal.
O Jornal Primeira Página entrou em contato com a defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e aguarda um posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestação.
Escute o áudio:
