Travessia por balsa cobra até R$ 294 após interdição da ponte entre Pedro Afonso e Tupirama

A travessia por balsa entre Pedro Afonso e Tupirama se tornou a única alternativa para cruzar o Rio Tocantins após a interdição total da ponte da BR-235. O que deveria ser uma solução emergencial para garantir a circulação entre os dois municípios acabou trazendo uma nova preocupação para moradores e trabalhadores da região: o custo diário para atravessar o rio.

Quando a operação foi anunciada, havia a expectativa de que o serviço pudesse se tornar gratuito. No entanto, a cobrança foi mantida desde o início e continua gerando reclamações. Para quem depende da travessia diariamente, o gasto passou a fazer parte do orçamento familiar em um momento já marcado por dificuldades de mobilidade e incertezas sobre a recuperação da ponte.

Os valores da travessia variam conforme o tipo de usuário e veículo. Pedestres pagam R$ 2,50, motociclistas R$ 10,00 e motoristas de automóveis e caminhonetes R$ 25,50 por viagem. No transporte coletivo, as tarifas chegam a R$ 76,25 para ônibus. Já entre os veículos de carga, os preços variam de R$ 74,00 para caminhões até R$ 294,50 para carretas de dez eixos carregadas.

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Confira os valores cobrados na travessia:

Tipo de travessia

Valor

Pedestre R$ 2,50
Bicicleta R$ 5,00
Moto R$ 10,00
Automóvel R$ 25,50
Caminhonete R$ 25,50
Micro-ônibus R$ 45,75
Ônibus R$ 76,25
Caminhão toco carregado R$ 74,00
Caminhão truc carregado R$ 94,25
Carreta de sete eixos carregada R$ 206,50
Carreta de dez eixos carregada R$ 294,50

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O impacto é sentido principalmente pelos moradores de Tupirama que trabalham em Pedro Afonso. Como a cidade é considerada o principal polo econômico da região, concentrando comércio, serviços, escolas, bancos e atendimentos de saúde, muitas pessoas precisam realizar o deslocamento diariamente. Com a travessia paga, trabalhadores passaram a enfrentar uma despesa que antes não existia.

“Antes eu atravessava a ponte sem gastar nada. Agora preciso pagar para ir e voltar do trabalho todos os dias. No fim do mês, é um dinheiro que faz falta dentro de casa”, relata um morador de Tupirama que trabalha em Pedro Afonso.

A situação também afeta estudantes, pacientes que realizam tratamentos médicos, produtores rurais e pequenos empresários. Além dos custos financeiros, moradores relatam dificuldades para reorganizar a rotina após a interrupção da principal ligação rodoviária entre os dois municípios.

A operação da balsa é realizada pela empresa PIPES Empreendimentos, autorizada a atuar de forma emergencial após a interdição da ponte. Segundo informações da Prefeitura de Pedro Afonso, três balsas estão atualmente em funcionamento para atender a demanda de veículos e passageiros.

Nos primeiros dias de operação, usuários enfrentaram longas filas e relataram esperas que ultrapassaram sete horas. Após as reclamações, a operação recebeu reforço, mas a cobrança da tarifa continua sendo alvo de críticas por parte da população, especialmente daqueles que dependem da travessia para trabalhar.

“A gente entende que a segurança vem em primeiro lugar, mas a população está pagando a conta. Além da demora e das dificuldades para se deslocar, ainda precisamos desembolsar dinheiro toda vez que precisamos resolver algo do outro lado do rio”, afirma uma moradora de Pedro Afonso que utiliza a travessia com frequência.

Enquanto moradores aguardam uma solução definitiva, ainda não há informações concretas sobre quando a situação será normalizada. Até o momento, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) não apresentou publicamente um relatório detalhando os problemas estruturais identificados na ponte nem divulgou um plano de recuperação da estrutura. Também não existe previsão oficial para a retomada do tráfego.

A Prefeitura de Pedro Afonso informou anteriormente que a possibilidade de oferecer a travessia gratuitamente dependeria de medidas e contratações a serem realizadas pelo Governo Federal. Até agora, porém, não há definição sobre quando isso poderá ocorrer.

Entenda o caso

A ponte da BR-235 sobre o Rio Tocantins foi inicialmente interditada para veículos pesados e, posteriormente, teve o tráfego totalmente suspenso pelo DNIT, incluindo ambulâncias, viaturas e demais veículos de emergência. Desde então, a travessia por balsa passou a ser a única ligação entre Pedro Afonso e Tupirama, impactando diretamente a rotina de moradores, trabalhadores e empresas da região.

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