O paradoxo tocantinense; por que um estado tão jovem avança mais rápido que seus vizinhos

O Tocantins registrou em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de sua história. Com índice de 0,797, o estado alcançou a 11ª posição nacional e passou a liderar o ranking entre os estados das regiões Norte e Nordeste. O resultado aproxima o Tocantins da faixa de muito alto desenvolvimento humano, reservada aos locais que superam a marca de 0,800.

Os dados foram divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação João Pinheiro (FJP). O levantamento analisou a evolução dos indicadores entre 2012 e 2024 e mostrou que o estado avançou em educação, renda e longevidade.

IDH e IDHM não são a mesma coisa

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Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença entre eles.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é utilizado para comparar países e mede três dimensões: renda, educação e expectativa de vida.

Já o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) adapta essa metodologia à realidade brasileira e permite avaliar estados e municípios. O indicador também considera educação, renda e longevidade, mas utiliza dados específicos da população local.

Na prática, o índice busca medir não apenas o crescimento econômico, mas as condições de vida da população.

Educação impulsionou crescimento

Entre as três dimensões analisadas, a educação foi a que apresentou maior avanço no Tocantins. O índice educacional saltou de 0,665 em 2012 para 0,801 em 2024, levando o estado à 10ª posição nacional nesse quesito.

Para o economista e doutor em Planejamento Urbano e Regional, Autenir Carvalho de Rezende, o avanço da educação tem impacto direto sobre a economia e a qualidade de vida.

“A educação aumenta a capacidade produtiva da população. Pessoas com maior escolaridade tendem a ter mais oportunidades de trabalho, maior renda, maior capacidade de adaptação tecnológica e melhores condições de empreender”, afirma.

Segundo ele, a educação também influencia outros aspectos do desenvolvimento humano, como saúde, cidadania, acesso à informação e mobilidade social.

Recuperação econômica ajudou resultado

Além da educação, o economista aponta que a recuperação econômica observada após a pandemia contribuiu para o avanço dos indicadores.

Segundo Autenir, a retomada do mercado de trabalho, o crescimento da renda e o fortalecimento de políticas públicas federais, especialmente os programas de transferência de renda, ajudaram a melhorar as condições de vida da população.

“O estado abandonou uma condição histórica de vulnerabilidade, típica de uma unidade federativa jovem, e passou a apresentar indicadores mais próximos dos estados mais desenvolvidos do país”, avalia.

Palmas se consolida como polo regional

Outro fator apontado pelo especialista é o fortalecimento de Palmas como centro administrativo, econômico e de serviços.

A capital continua atraindo moradores de diferentes regiões do país e se consolidou como referência em áreas como educação superior, comércio, administração pública e saúde.

Para Autenir, esse crescimento populacional contribui para o desenvolvimento humano quando é acompanhado de planejamento urbano e ampliação dos serviços públicos.

“A chegada de novos moradores amplia o mercado consumidor, estimula o comércio, aumenta a demanda por serviços, fortalece o setor imobiliário, cria oportunidades de trabalho e amplia a arrecadação pública”, explica.

Desafios permanecem

Apesar dos avanços, o especialista alerta que o IDHM representa uma média e não reflete todas as desigualdades existentes.

Segundo ele, ainda há diferenças significativas entre municípios, além de desafios relacionados à geração de renda, qualidade dos serviços públicos e desenvolvimento do interior do estado.

Entre os principais obstáculos para que o Tocantins alcance a faixa de muito alto desenvolvimento humano estão a concentração do desenvolvimento em poucos polos urbanos, a necessidade de melhorar a qualidade da educação e ampliar a geração de empregos qualificados.

“O próximo salto do Tocantins dependerá menos de crescer na média e mais de reduzir desigualdades internas”, afirma o economista.

Próximo passo

Com índice de 0,797, o Tocantins está a apenas três milésimos da classificação de muito alto desenvolvimento humano. Para especialistas, manter investimentos em educação, geração de renda, saúde, infraestrutura e inclusão produtiva será fundamental para que o estado continue avançando nos próximos anos.

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