Ourivesaria de Natividade receberá título de Patrimônio Cultural do Brasil
A tradição da ourivesaria artesanal de Natividade receberá oficialmente o título de Patrimônio Cultural do Brasil na próxima segunda-feira (1º), em cerimônia promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O evento será realizado às 8h, na Praça Leopoldo de Bulhões, em Natividade, no sudeste do Tocantins, e integra a programação de aniversário do município.
O reconhecimento nacional foi aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan em novembro de 2025 e contempla os conhecimentos, técnicas e práticas transmitidos por gerações de artesãos dedicados à fabricação manual de joias em ouro e prata.
Durante a cerimônia, o título será entregue aos detentores da Ourivesaria de Natividade, bem cultural inscrito no Livro de Registro dos Saberes.
A atividade é considerada uma das principais expressões culturais do Tocantins e reúne conhecimentos ligados à produção artesanal de peças como anéis, brincos, colares, pulseiras, crucifixos, pingentes e gargantilhas.
As técnicas utilizadas foram preservadas ao longo de gerações e permanecem associadas à identidade cultural do município.
Segundo o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, o reconhecimento também representa uma homenagem aos artesãos responsáveis pela preservação da tradição.
“A entrega deste reconhecimento nacional é, sobretudo, uma homenagem aos mestres, às famílias e à comunidade que mantiveram viva essa tradição ao longo das gerações”, afirmou.
As peças produzidas em Natividade são confeccionadas em ouro e prata extraídos historicamente da própria região e incorporam elementos ligados à natureza, à religiosidade e à memória cultural local.
Entre os símbolos mais conhecidos estão joias inspiradas na flor do maracujá, corações nativos e representações cristãs, frequentemente utilizadas em celebrações religiosas e manifestações culturais do município.
Além do valor econômico, a prática está associada à história da ocupação da região, às tradições familiares e à construção da identidade cultural do sudeste tocantinense.
Próximo passo será plano de salvaguarda
Após a entrega do título, será realizada a primeira reunião entre o Iphan e os detentores da tradição para iniciar a elaboração do plano de salvaguarda da atividade.
O documento deverá estabelecer ações voltadas à preservação dos conhecimentos tradicionais e à transmissão das técnicas artesanais para as próximas gerações.
Segundo o Iphan, o processo busca garantir que a prática continue sendo exercida e reconhecida como parte do patrimônio cultural brasileiro.
