Vírus Nipah volta ao radar da OMS; saiba como ocorre a transmissão e por que o Tocantins está fora da rota

Enquanto a Organização Mundial da Saúde mantém o vírus Nipah na lista de patógenos prioritários para vigilância global, o Tocantins acompanha o cenário internacional à distância, sem registro da doença e sem risco identificado para a população.

O alerta voltou ao radar após novos casos na Índia, onde mais de 100 pessoas precisaram ser colocadas em quarentena no início de janeiro. O Nipah é um vírus de origem silvestre, associado a morcegos frugívoros, capaz de provocar encefalite grave e com taxa de mortalidade que pode chegar a 70%. Apesar disso, não há circulação do vírus no Brasil nem na América Latina.

No Tocantins, o acompanhamento é feito de forma preventiva pela Secretaria de Estado da Saúde, que reforça que o estado não apresenta condições epidemiológicas para a transmissão do Nipah.

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Vigilância ativa, mesmo sem casos

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, o monitoramento de vírus emergentes ocorre diariamente por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, ligado à Superintendência de Vigilância em Saúde.

O órgão acompanha alertas internacionais, mantém comunicação constante com a rede nacional de vigilância do Ministério da Saúde e monitora informações que circulam em meios oficiais e redes sociais.

Mesmo sem registro de casos, a SES-TO afirma que o protocolo prevê investigação imediata caso surja qualquer suspeita no território tocantinense, com acionamento da rede SUS e alinhamento direto com o governo federal.

Por que a OMS mantém o Nipah como prioridade

O vírus Nipah preocupa a comunidade científica mundial por reunir características consideradas sensíveis: origem em animais silvestres, possibilidade de transmissão para animais de criação e alta letalidade em humanos. Não existe vacina aprovada nem tratamento específico, o que limita as opções de resposta em surtos localizados.

A OMS avalia que, embora o vírus não se espalhe com facilidade entre pessoas, cada novo surto representa uma oportunidade de adaptação viral — motivo pelo qual o monitoramento contínuo é considerado essencial.

O elo invisível entre floresta, animais e pessoas

O Nipah é um exemplo clássico do chamado “transbordamento zoonótico”, quando um vírus restrito à natureza encontra caminhos para atingir seres humanos. Em surtos anteriores, o patógeno passou de morcegos para porcos, que atuaram como hospedeiros intermediários, antes de infectar trabalhadores rurais.

Especialistas associam esse tipo de evento à perda de habitat natural, ao desmatamento e à aproximação forçada entre fauna silvestre, rebanhos e comunidades humanas.

Embora o Tocantins não abrigue o hospedeiro principal do vírus — os morcegos do gênero Pteropus —, autoridades de saúde ressaltam que a preservação ambiental e a vigilância epidemiológica seguem sendo fundamentais para reduzir riscos futuros.

Tocantins fora da rota do vírus

De acordo com especialistas e autoridades sanitárias, o vírus Nipah não encontra, no Brasil, as condições necessárias para se estabelecer, seja pela ausência do hospedeiro adequado ou pela baixa eficiência de transmissão entre humanos.

A SES-TO reforça que o estado possui capacidade técnica e laboratorial para identificar rapidamente qualquer evento atípico, com apoio da rede nacional e de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz.

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