Primeiro censo identifica 335 pessoas de comunidades ciganas em Palmas; dados devem orientar políticas públicas
O primeiro Censo Participativo dos Povos Ciganos de Palmas identificou, até o momento, 335 pessoas pertencentes às comunidades ciganas que residem ou permanecem de forma recorrente na Capital. Os resultados foram apresentados nesta quinta-feira (6) pela Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Palmas (Seirdh).
Do total mapeado, 132 são crianças e adolescentes de até 17 anos e 203 são adultos. Além de estimar o tamanho dessa população, o levantamento reúne informações sobre escolaridade, trabalho, renda e distribuição territorial, que poderão orientar a formulação de políticas públicas.
O censo é coordenado pela Prefeitura de Palmas e realizado em parceria com o Instituto Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais do Tocantins (Ines-PCTS/TO) e a Associação dos Povos Ciganos da Etnia Kalon de Palmas Tocantins (Acek-Patins).
Levantamento deve subsidiar políticas públicas
A apresentação dos resultados reuniu membros e lideranças das comunidades ciganas, além de representantes das secretarias municipais da Saúde (Semus) e da Educação (Semed).
Segundo o secretário da Seirdh, Joelson Soares, os dados permitem conhecer com maior precisão as características e necessidades dessa população e representam uma primeira etapa para ampliar a articulação institucional.
A Prefeitura pretende utilizar o levantamento para avançar em ações junto ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), ao Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a programas relacionados ao Selo Unicef, inclusive na busca por recursos para políticas destinadas às comunidades ciganas e outras populações socialmente minorizadas.
Palmas aponta pioneirismo do levantamento
Segundo a Seirdh, Palmas é a primeira capital brasileira a realizar um censo participativo com os povos ciganos. O diferencial da iniciativa, conforme o Município, foi a participação de integrantes das próprias comunidades na elaboração e aplicação da pesquisa.
Para a presidente da Acek-Patins e professora da rede estadual, Ana Cléia, a existência de dados estatísticos pode fortalecer a reivindicação de políticas públicas.
“Por muito tempo escutei: ‘Ah, mas só tem você de cigana em Palmas’, e o Censo agora está aí para mostrar a realidade. Hoje nós temos diversas tratativas com outros órgãos e instituições, mas poder contar com essa estimativa vai fortalecer o andamento das nossas pautas”, afirmou.
O assessor de gabinete da Seirdh e integrante da etnia Kalon, Johny Sá, afirmou que, a partir dos resultados, a comunidade pretende avançar em discussões sobre políticas como cotas em universidades e concursos, moradia e valorização cultural.
Comunidade relata histórico de invisibilidade
Durante o encontro, representantes também abordaram a trajetória dos povos ciganos no Brasil e no Tocantins e destacaram que processos históricos de marginalização contribuíram para a exclusão social e a reprodução de preconceitos.
O diretor temático de povos ciganos do Ines-PCTS/TO, Salomão Neto Queiroz, afirmou que, apesar dos avanços conquistados por parte da comunidade, ainda há pessoas que enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos.
Já Klébio Gomes, apontado pela Prefeitura como o único representante da etnia Rom na Capital, destacou a importância do levantamento para dar maior visibilidade à população cigana.
“Em meus 50 anos, esta é apenas a segunda vez que tenho a oportunidade de falar sobre o meu povo de forma pública. Esse mapeamento é essencial para que sejamos vistos por todos e para que as novas gerações tenham mais oportunidades e sofram menos com a invisibilidade”, afirmou.
Os dados apresentados ainda são uma estimativa inicial. O questionário também contempla uma análise qualitativa para aprofundar informações sobre as condições sociais, econômicas e territoriais da população cigana de Palmas.
