Irajá retira nome da convenção; PSD lamenta decisão e nega responsabilidade pela crise
O senador Irajá Abreu (PSD) comunicou oficialmente que não autoriza a indicação de seu nome para qualquer cargo durante a convenção estadual do partido, marcada para esta terça-feira (4), na Associação Tocantinense de Municípios (ATM), em Palmas. A decisão foi formalizada em ofício encaminhado ao presidente estadual da legenda, Laurez Moreira, e também à Executiva Nacional do PSD.
No documento, recebido nesta segunda-feira (3), Irajá afirma que não autoriza o uso de seu nome nem de sua imagem em materiais relacionados à convenção e condiciona uma eventual candidatura à revisão da condução do partido no Tocantins pela direção nacional.
No ofício, Irajá faz críticas à direção estadual do PSD, afirmando que houve falta de diálogo na construção das chapas majoritária e proporcional para as eleições de 2026.
O senador também questiona as alianças firmadas pela legenda e cita a situação da pré-candidatura de Ivanete Lima ao Senado. Segundo ele, a pré-candidata, descrita como mulher negra, evangélica e líder comunitária, teria sofrido um “veto explícito”, divulgado pela imprensa, sem que houvesse diálogo prévio.
Ainda conforme o documento, a forma como o processo eleitoral vem sendo conduzido gerou um cenário de instabilidade política dentro do partido e comprometeu a formação de uma chapa competitiva para deputado federal, o que, na avaliação do parlamentar, prejudica as candidaturas majoritárias e os interesses nacionais da sigla.
Disputa pelo comando do PSD
Embora o ofício trate da retirada de seu nome da convenção, o gesto também amplia a disputa pelo comando do PSD no Tocantins.
Até o ano passado, Irajá presidia o diretório estadual da legenda. A mudança ocorreu após a filiação de Laurez Moreira ao partido, quando o então vice-governador assumiu a presidência do PSD com aval do presidente nacional, Gilberto Kassab.
Ao levar o caso diretamente à Executiva Nacional e afirmar que aguarda uma decisão sobre a situação do diretório tocantinense, Irajá transfere para Brasília a definição sobre o futuro do comando partidário no estado.
No documento, o senador afirma que permanece à disposição para disputar as eleições, desde que, segundo suas palavras, sejam “corrigidos os rumos equivocados do partido no Tocantins”.
As divergências internas ganharam força durante a construção da chapa majoritária.
Irajá defendia a pré-candidatura de Ivanete Lima ao Senado e a participação do PT em uma das suplências de sua chapa. Posteriormente, a entrada de Paulo Mourão como candidato ao Senado alterou esse desenho político.
Caso a Executiva Nacional decida intervir no diretório estadual, a decisão poderá influenciar diretamente a definição das alianças eleitorais, da distribuição dos recursos do fundo eleitoral, do tempo de propaganda e da composição das chapas para as eleições de 2026.
PSD diz que candidatura de Irajá sempre foi prioridade
Em nota, a assessoria de imprensa do PSD Tocantins afirmou que lamenta, mas respeita a decisão de Irajá de retirar sua candidatura da construção eleitoral.
Segundo o partido, desde o início das negociações o senador sempre foi um dos nomes do grupo para disputar uma vaga ao Senado e esse entendimento permaneceu mesmo após a saída de Mauro Carlesse da disputa, quando a outra vaga passou a ser ocupada por Paulo Mourão.
A legenda também negou que tenha discutido, tanto no diretório estadual quanto no nacional, a inclusão de outro nome para representar o PSD na disputa ao Senado.
Por fim, o PSD afirmou que as decisões partidárias foram construídas por meio do diálogo entre os partidos da aliança, defendeu que o processo ocorreu de forma coletiva e reiterou que mantém as portas abertas para o diálogo, trabalhando pela unidade do grupo.
Nota da Assessoria de Imprensa do PSD Tocantins
A Assessoria de Imprensa do PSD Tocantins lamenta, mas respeita a decisão do senador Irajá de desistir da construção de sua candidatura ao Senado.
Desde o início das conversas para formar a coligação, Irajá sempre foi um dos nomes do grupo para disputar uma vaga ao Senado, e este posicionamento segue mantido. Com a saída de Mauro Carlesse da disputa, a outra vaga passou a ser ocupada por Paulo Mourão, dentro do entendimento firmado entre os partidos da aliança.
O PSD também esclarece que não houve discussão por parte do diretório nacional e nem do estadual, a inclusão de qualquer outro nome para representar o partido na disputa ao Senado.
As decisões do PSD são tomadas por meio do diálogo e do entendimento amplo e democrático entre os partidos. Por isso, não é correto transferir para outros a responsabilidade por um processo que foi construído de forma coletiva e harmônica.
O PSD Tocantins segue com as portas abertas ao diálogo, respeitando os acordos firmados e trabalhando pela união do grupo em torno do projeto que considera o melhor para o Tocantins.
