Viagem ao Mato Grosso era mencionada no dia em que Gustavo foi encontrado morto, revelam depoimentos

Uma viagem ao Mato Grosso estava prevista para o mesmo dia em que Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto com sinais de violência na casa do pai, Igor Veloso de Sousa, em Palmas, no dia 3 de agosto. A informação consta em depoimentos da investigação obtidos com exclusividade pela TV Anhanguera.

Os relatos mencionam a viagem em dois momentos. A mãe de Kathellen Moreira, madrasta de Gustavo, declarou à Polícia Civil que a filha havia pedido que ela cuidasse da bebê do casal por causa de uma viagem ao Mato Grosso prevista para aquele dia.

Uma babá de 17 anos também afirmou ter ouvido Igor e Kathellen conversando sobre uma viagem na manhã em que Gustavo foi encontrado morto.

Os trechos divulgados, porém, não esclarecem quem viajaria, qual seria o destino no Mato Grosso, o horário previsto para a saída ou se o compromisso havia sido planejado antes da morte da criança. Também não há, nesse material, afirmação da Polícia Civil de que a viagem estaria relacionada a uma tentativa de fuga.

Babá chegou à casa por volta das 6h30

Os depoimentos também apresentam detalhes das horas anteriores à descoberta da morte de Gustavo.

A babá contou que chegou à residência por volta das 6h30 daquela segunda-feira e encontrou a sala revirada. Segundo o relato, Kathellen estava no quarto da bebê e pediu que a adolescente permanecesse com a criança naquele cômodo.

Depois, conforme o depoimento, Kathellen pegou um lençol e seguiu para o próprio quarto.

A adolescente afirmou que não ouviu gritos nem pedidos de socorro. Ela relatou que adormeceu com a bebê e acordou por volta das 8h.

Nesse momento, segundo a jovem, Igor e Kathellen conversavam do lado de fora da residência em tom calmo e mencionavam uma viagem. Pouco depois, Kathellen entrou no quarto e dispensou a babá.

Irmão disse ter ouvido choro de Gustavo

Além de Igor, Kathellen, Gustavo e da bebê, outro filho de Igor, de 11 anos, estava na residência.

De acordo com o depoimento divulgado, a criança permanecia sozinha em um quarto. Ela afirmou que não presenciou as agressões, mas ouviu o irmão chorando.

A mãe de Kathellen também declarou à Polícia Civil acreditar que a filha estivesse sendo ameaçada pelo marido.

Investigação foi concluída

Com a conclusão do inquérito, Igor foi indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen foi indiciada por vicaricídio e fraude processual.

A defesa dos dois afirmou discordar das acusações apresentadas pela Polícia Civil e ressaltou que o indiciamento não representa uma decisão definitiva sobre culpa. Também defendeu que as condutas atribuídas a cada investigado sejam analisadas individualmente, com base nas provas técnicas e no processo judicial.

Com informações g1 Tocantins