A produção de grãos no Tocantins deve encerrar a safra 2025/26 em 9,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,1% em relação às 9,17 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior. Com o resultado, o estado permanece como o maior produtor de grãos da Região Norte, segundo o 12º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em um ano, a produção tocantinense aumentou aproximadamente 557 mil toneladas. O crescimento supera a média nacional, estimada em 2,6%. No país, a safra deve alcançar 361,7 milhões de toneladas.
Na Região Norte, a produção conjunta está estimada em 24,37 milhões de toneladas. Desse total, o Tocantins responde sozinho por cerca de 40%, seguido pelo Pará, com 8,34 milhões de toneladas. A produção tocantinense também equivale a aproximadamente 2,7% de toda a safra brasileira.
Área cultivada e produtividade aumentam
O crescimento da produção veio acompanhado pelo aumento do conjunto das áreas cultivadas e pela melhora da produtividade média.
A soma das áreas destinadas às culturas acompanhadas pela Conab passou de 2,41 milhões para 2,51 milhões de hectares, alta de 4%. Já o rendimento médio aumentou 2%, passando de 3.808 para 3.883 quilos por hectare.
O indicador de área, no entanto, não significa necessariamente que houve expansão equivalente sobre novas terras. A metodologia considera as áreas ocupadas pelas diferentes culturas e épocas de plantio durante o ano-safra, incluindo locais que podem receber mais de uma cultura no mesmo período agrícola.
Falta de chuva prejudicou milho
Apesar do crescimento da produção total, as condições climáticas tiveram impactos diferentes entre as culturas.
No milho segunda safra, cuja colheita terminou em meados de agosto, a produtividade foi estimada em 5.114 quilos por hectare, queda de 6,1% em relação ao ciclo anterior.
Segundo a Conab, mais de 20% das lavouras tocantinenses de milho safrinha foram implantadas fora da janela considerada ideal. As condições permaneceram favoráveis até meados de abril, mas a redução das chuvas atingiu áreas que estavam em fases de maior necessidade de água e comprometeu parte do potencial produtivo.
O sorgo também sofreu com a irregularidade das chuvas. Entre março e abril, o Tocantins acumulou cerca de 450 milímetros de precipitação nas áreas analisadas, enquanto, em maio, o maior acumulado mensal ficou em apenas 30 milímetros.
As lavouras plantadas mais cedo tiveram resultados melhores. Já cultivos tardios, como os registrados na região de Darcinópolis, apresentaram perdas de rendimento pela falta de chuva durante o período reprodutivo.
Feijão-caupi ganha espaço
A área destinada ao feijão-caupi cresceu significativamente no Tocantins na comparação com a safra 2024/25. Entre os fatores apontados estão a valorização recente do grão e o atraso das culturas de primeira safra, que reduziu a janela disponível para o milho e abriu espaço para alternativas de ciclo mais curto.
Nas áreas de sequeiro, a colheita apresentou rendimento considerado satisfatório, embora a redução das chuvas no fim do ciclo tenha limitado parte do potencial produtivo.
Nas áreas irrigadas de Formoso do Araguaia, Pium e Lagoa da Confusão, a irrigação suplementar garantiu melhores condições de desenvolvimento durante o período mais seco.
No arroz, a primeira safra irrigada já havia sido colhida, com bons rendimentos e qualidade superior a 60% de grãos inteiros. Nas lavouras de sequeiro plantadas mais tarde, a redução das chuvas durante o enchimento dos grãos diminuiu a produtividade.
Soja e algodão
Em agosto, ainda havia no Tocantins lavouras de soja destinadas à produção de sementes nas regiões de várzea. O tempo firme e seco favoreceu a colheita, enquanto parte dos cultivos permanecia nas fases de maturação e dessecação.
No algodão, o clima seco e as temperaturas elevadas também favoreceram os trabalhos. Na primeira safra, a colheita avançava em Dianópolis. Na segunda, já havia terminado em Aparecida do Rio Negro e Tocantínia e seguia em Nova Rosalândia.
A Conab também revisou para cima a área cultivada com algodão no estado e estimou que cerca de metade da produção já estava comercializada.
Com informações Tocantins Rural