O novo desdobramento da Operação Sisamnes autorizou a investigação formal do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, após pedido da Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A apuração busca esclarecer se decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro teriam beneficiado interesses ligados ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e à advogada Miriam Ribeiro, ambos citados nas investigações. Segundo a PF, ainda não há provas da participação direta do ministro, que nega qualquer irregularidade e informou, por meio de seu gabinete, que desconhecia a existência da investigação.
Entre as diligências autorizadas por Zanin estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal de servidores, familiares e pessoas relacionadas aos processos analisados pela Polícia Federal.
A Operação Sisamnes foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2024. As investigações tiveram início após a análise de informações encontradas depois do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá (MT).
Segundo a PF, o material apreendido revelou indícios da atuação de uma suposta rede formada por lobistas, advogados e servidores públicos que teria negociado minutas de votos, informações protegidas por sigilo e decisões judiciais entre os anos de 2019 e 2023.
No decorrer das investigações, a Procuradoria-Geral da República denunciou nove pessoas por supostos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional.
De acordo com a denúncia, uma empresa ligada ao lobista Andreson Gonçalves teria transferido cerca de R$ 4 milhões para uma empresa pertencente à esposa de um servidor do STJ. As responsabilidades individuais ainda serão analisadas pela Justiça.
A operação também teve forte repercussão no Tocantins. Em uma das fases da investigação, a Polícia Federal prendeu o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, dois advogados e um policial civil suspeitos de participação em um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas relacionadas a processos do STJ. As prisões foram posteriormente revogadas e todos os investigados negam envolvimento em irregularidades.