Hospital Dona Regina é alvo de denúncias de infecção hospitalar e superlotação; MP abre investigação

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou um Procedimento Administrativo para apurar uma denúncia envolvendo uma paciente internada no Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas. A investigação busca verificar a suspeita de que a paciente tenha contraído uma infecção hospitalar durante o atendimento, além de apurar denúncias de superlotação e das condições de internação na unidade.

A portaria foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público e o procedimento tramita na 27ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela defesa dos direitos à saúde.

Segundo a portaria, a investigação teve início após uma manifestação registrada no Atendimento ao Cidadão do Ministério Público.

De acordo com a denúncia, a paciente, identificada apenas pelas iniciais E.A.D.S., está internada no Hospital Dona Regina e teria contraído uma infecção hospitalar durante o período de atendimento.

O denunciante também afirma que a maternidade registra um elevado número de casos de infecção hospitalar, enfrenta superlotação nos leitos de internação e que a paciente permanece em um quarto compartilhado com outras pacientes e acompanhantes, sem acesso a um leito individual.

As informações fazem parte da denúncia apresentada ao Ministério Público e ainda serão apuradas. A instauração do procedimento não significa que as irregularidades tenham sido confirmadas.

Conforme a portaria, o objetivo do procedimento é verificar as circunstâncias da internação da paciente, a suposta infecção hospitalar, as condições em que ela permanece internada, a ausência de leito individual e eventual violação aos direitos da usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como providências iniciais, o promotor determinou a autuação formal do procedimento, a juntada do termo de declarações e dos documentos apresentados pelo denunciante, a comunicação ao Conselho Superior do Ministério Público e a publicação da portaria no Diário Oficial.

A assessora ministerial Ana Paula Oliveira Silva foi designada para acompanhar o procedimento.

A identidade da paciente foi mantida em sigilo por envolver informações médicas protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Na portaria, o Ministério Público destaca que a divulgação dos dados ocorre apenas na medida necessária para garantir a publicidade do ato administrativo, preservando as informações pessoais da usuária.

O procedimento terá prazo inicial de um ano, podendo ser prorrogado por igual período mediante decisão fundamentada.

O Jornal Primeira Página entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) para questionar se o Hospital e Maternidade Dona Regina tem conhecimento da denúncia, quais protocolos são adotados para prevenção e controle de infecções hospitalares, qual é a atual taxa de ocupação dos leitos da unidade, se há registro de aumento nos casos de infecção hospitalar e se foi instaurada alguma apuração interna sobre o caso. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.