HQ criado na pandemia transforma Tocantins em cenário de ficção científica

A ilustradora e arquiteta Ana Bernhard, do Tocantins, tem explorado a relação entre território e narrativa em suas produções autorais. Em sua HQ Anien do Céu! Um Humano no Meu Quintal, a artista mistura ficção científica, cotidiano e referências visuais do estado, em uma história criada durante a pandemia.

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Início nos quadrinhos vem da infância

Em entrevista ao Jornal Primeira Página, Ana Bernhard contou que a relação com os quadrinhos começou ainda na infância, a partir da leitura.

“Eu sempre fui incentivada a ler, começando pelos quadrinhos. Em algum momento percebi que também conseguia fazer aquilo”, afirmou.

Segundo ela, antes mesmo da publicação da obra atual, já produzia histórias em formato de quadrinhos como forma de registrar situações do cotidiano.

Ilustradora e arquiteta Ana Bernhard

Produção no Tocantins enfrenta desafios

A autora destaca que produzir quadrinhos fora dos grandes centros ainda apresenta dificuldades, principalmente pela falta de editoras e gráficas especializadas na região.

“Às vezes queremos produzir aqui, mas nem sempre encontramos a qualidade editorial necessária. Acabamos levando o material para o Sudeste”, explicou.

Apesar disso, ela aponta avanços recentes, como o fortalecimento de iniciativas locais e eventos voltados à produção independente.

História nasceu de um sonho na pandemia

A HQ Anien do Céu surgiu a partir de um sonho durante o período de isolamento social. A narrativa apresenta uma inversão do olhar tradicional da ficção científica, colocando os humanos como “estrangeiros”.

“Foi uma ideia que nasceu em um momento de insegurança, mas também de criatividade. Eu quis amadurecer a história antes de publicar, e ela acabou virando um livro”, contou.

Obra propõe reflexão sobre convivência

A produção aborda temas como diferença, pertencimento e convivência, com foco na construção de relações baseadas no respeito.

“A mensagem principal é buscar o que nos une, não o que nos separa. Mesmo sendo diferentes, existem coisas que nos conectam”, disse.

Produção digital amplia alcance

Além da HQ impressa, Ana também publica trabalhos em formato digital, como o webtoon Conversas Cósmicas, divulgado nas redes sociais.

Segundo a autora, o formato permite alcançar leitores em diferentes regiões do país e ampliar o acesso à produção tocantinense.

“Pensar que alguém em outro estado teve contato com uma obra feita aqui e se interessou é muito especial”, afirmou.