Feminicídios crescem 52,8% no Tocantins e estado passa a ter a 4ª maior taxa do Brasil

O Tocantins registrou um dos maiores aumentos proporcionais de feminicídios do Brasil em 2025. Dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (23), mostram que o número de mulheres assassinadas em razão do gênero passou de 13 para 20 casos em um ano, alta de 52,8%.

Com esse resultado, o estado passou a ter a quarta maior taxa de feminicídios do país, com 2,5 casos para cada 100 mil mulheres. Apenas Acre (3,2), Rondônia (2,9) e Mato Grosso (2,7) apresentaram índices superiores.

Brasil registra alta pelo quarto ano seguido

Em todo o país, foram contabilizados 1.571 feminicídios em 2025, aumento de 4% em relação aos 1.504 casos registrados no ano anterior. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), este é o quarto ano consecutivo de crescimento desse tipo de crime.

O levantamento aponta que a maior parte das vítimas foi morta por pessoas com quem mantinham ou mantiveram relacionamento. Parceiros foram responsáveis por 60,9% dos casos, enquanto ex-parceiros responderam por 18,9%. Juntos, eles representam quase oito em cada dez feminicídios registrados no país.

Violência costuma começar antes do crime

De acordo com o anuário, o feminicídio geralmente é o desfecho de uma sequência de violências praticadas contra a mulher.

Em 2025, também aumentaram os registros de perseguição (stalking), violência psicológica, ameaças, lesões corporais no contexto da violência doméstica e casos de descumprimento de medidas protetivas.

O estudo mostra ainda que parte das vítimas já possuía medidas protetivas de urgência. Nos estados que informaram esse dado, ao menos 70 mulheres foram assassinadas mesmo estando protegidas por decisões judiciais.

Desafio para as políticas públicas

Os pesquisadores destacam que, enquanto os homicídios em geral seguem em queda no Brasil, os feminicídios continuam aumentando.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, isso ocorre porque esse tipo de violência está concentrado, principalmente, no ambiente doméstico e familiar, o que dificulta a atuação preventiva do Estado e reforça a necessidade de ampliar as políticas de proteção às mulheres.